Reprodução/Facebook
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Aluno de medicina da USP acusado de estupro pode ser impedido de colar grau

Reunião extraordinária da Congregação da Fmusp, orgão máximo da instituição, vai apresentar resultado de apuração do caso

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

07 Abril 2015 | 16h44

Atualizada às 22h30
Uma reunião extraordinária da Congregação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), órgão máximo da instituição, vai apresentar nesta quinta-feira, 9, o resultado de um processo interno de um aluno acusado por três estudantes de tê-las estuprado. A participação do aluno na colação de grau, que ocorrerá no próximo dia 14, depende do resultado da apuração. 

O aluno já cumpriu os créditos exigidos na graduação, mas pode não se formar. Nesta segunda-feira, o advogado do estudante apresentou sua defesa formal à universidade. Apesar de a Fmusp não confirmar, um e-mail enviado aos membros da Congregação ao qual o Estado teve acesso confirma o teor da reunião: "Ordem do dia - processo administrativo disciplinar  decorrente de denúncia formalizada perante Comissão Sindicante, instaurado contra aluno do Curso de Graduação em Medicina da FMUSP - Relatório da Comissão Administrativa Disciplinar".

Na terça-feira, 7, cerca de 20 alunos e alunas da Fmusp, além de ativistas da Marcha Mundial das Mulheres e da Ong ITTC foram à frente da universidade às 12h para entregar ao diretor José Otávio Costa Auler Junior um documento em repúdio à falta de punição nos casos de violência sexual na instituição. A nota era assinada por cerca de 1 mil pessoas, principalmente advogados, sociólogos e estudantes. Os alunos chegaram a afixar nos portões da instituição panos pintados com as frases "médico estuprador não cola" e "USP, 1ª no ranking de conivência com estupro". 

CPI. O aluno acusado chegou a ser convocado a participar de uma das audiências da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou os casos de violações de direitos humanos em universidades do estado de São Paulo, mas não compareceu. A CPI foi criada depois de duas alunas da USP denunciarem, em audiência pública, terem sido estupradas em festas organizadas por alunos da instituição. O relatório final do trabalho, entregue em março, chegou a propor até a proibição de qualquer aluno punido em sindicâncias de participar de concursos públicos. 

A Fmusp informou, em nota, que não pode comentar o caso, já que ocorre em sigilo. Ressaltou ainda o conjunto de medidas criados para promover "Um ambiente de tolerância e respeito e coibir quaisquer formas de abuso", como o Núcleo de Estudos dos Direitos Humanos, o Núcleo de Acolhimento e Escuta e a ouvidoria. 

O advogado do aluno, Daniel Casagrande, afirmou que não vai comentar o caso por se tratar de um processo sigiloso, mas que confia "plenamente" na absolvição de seu cliente. Informou ainda que foram apresentadas "uma série de provas" da inocência do estudante. 

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