Aluno de escola rural é pior em matemática

Desempenho é 18% inferior ao da média nacional, revela estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária

Marta Salomon, O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2010 | 09h47

Alunos de escolas rurais do País apresentam desempenho em matemática 18% inferior à média nacional, restrita ainda às escolas das áreas urbanas. Só neste ano, o índice oficial passará a incluir – e ainda parcialmente – alunos que não estudam nas cidades. A pesquisa Estudo Nacional das Escolas Rurais, encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também identificou desempenho de português 6% abaixo da média brasileira.

 

Junto com o baixo desempenho, a pesquisa encontrou condições precárias nas escolas do campo: a maioria dispõe apenas de quadro negro e giz como recurso pedagógico. Computadores inexistem em 66% da amostra pesquisada.

 

Fosso

 

“Existe um diagnóstico grave: a maior desigualdade na educação não é entre homens e mulheres, entre brancos e pretos ou entre o Nordeste e o Sudeste, mas entre a área urbana e a rural”, afirmou André Lázaro, secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC).

 

Somente a partir deste ano, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) passará a refletir o desempenho de uma parcela das escolas do campo: cerca de 10% dos 4,9 milhões de alunos da área rural. Os estudantes matriculados em escolas do campo somam aproximadamente 10% do total de matrículas do ensino básico no País.

 

A expectativa do MEC é que o índice geral do Ideb fique entre 4,4 e 4,5, pouco acima do obtido em 2007, de 4,2. Esse resultado já repercutiria, ainda que parcialmente, os resultados do índice de aprendizagem do ensino rural. “A diferença de desempenho não é proporcional à diferença das condições dessas escolas. Eu temia que a diferença fosse maior”, observou Lázaro.

 

Várias séries

 

O Estudo Nacional das Escolas Rurais, patrocinado pela CNA, pesquisou uma amostra de escolas com classes chamadas multisseriadas, que reúnem alunos de idades e séries diferentes. O Ibope aplicou a Prova Brasil em um grupo de alunos de 50 escolas localizadas em 10 Estados.

“Temos um cenário de pobreza e esquecimento”, resumiu a presidente da confederação, senadora Kátia Abreu (DEM-TO). “O que estamos oferecendo a essas crianças é a morte cultural."

 

Às condições precárias das escolas, somam-se a falta de assistência e acompanhamento dos pais nos deveres de casa. De acordo com a pesquisa, feita pelo Ibope e pelo Instituto Paulo Montenegro, quase 70% dos pais não completaram a 8.ª série. Entre os estudantes, 49% já foram reprovados ao menos uma vez.

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