Aluno acusa polícia de apreender fotos após manifestação

O aluno de jornalismo Karlos Alberto Lopez Rabello acusa a Polícia Militar de apreender o cartão de memória de sua máquina fotográfica durante manifestação contra as mensalidades realizada por alunos da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), em São Bernardo, na última quarta-feira. Mesmo procurada repetidas vezes pela reportagem, a PM não quis comentar o assunto.Segundo a denúncia, confirmada por outros estudantes e pela comissão organizadora da manifestação, Rabello fazia a cobertura da ação como imprensa independente. Assim que o responsável pela tropa de choque percebeu que as cenas eram registradas, apreendeu a máquina digital do rapaz. O material só foi devolvido horas depois, sem o cartão de memória e as pilhas. "Eu perdi tudo o que fiz", disse o estudante.A manifestação, que interrompeu o tráfego da Via Anchieta por 40 minutos na altura do quilômetro 14, acabou com oito pessoas na delegacia. "Foram cinco alunos da universidade, um professor, que vendo a confusão, tentou nos ajudar, e outros dois colegas", disse um dos organizadores do ato, o estudante de Direito Flaviano Correa Cardoso. Entre os detidos, estavam Cardoso e Rabello, sendo que este foi o único a ser indiciado pela polícia, sob acusação de crime contra o patrimônio público. "Até tinha gente jogando pedra em viatura, quebrando vidro, mas isso foi depois que a Polícia Militar jogou bombas de efeito moral", disse o estudante de jornalismo, que só foi liberado do 1º DP de São Bernardo após outros manifestantes juntarem dinheiro para pagar sua fiança, estipulada no valor de R$ 100. Rabello diz que como era responsável pela cobertura do ato, não poderia ter jogado pedra nas viaturas. "Eu estava segurando a câmera", afirma.Cardoso disse que os estudantes já mobilizaram advogados para cuidar do caso. "Isso fere a liberdade de imprensa, o direito de manifestação", afirmou.ManifestaçãoOs estudantes pedem a diminuição da mensalidade e a publicação da planilha de custos da universidade. "Participaram cerca de 1.500 pessoas", afirmou Cardoso. "De outros campi e de outras universidades também".A Ecovias, concessionária que administra a estrada, chamou a polícia porque a manifestação fechou a rodovia. Os estudantes bloquearam a pista marginal da via, sentido capital. Perto das 21h30, a ação já havia sido interrompida pelos policiais. Segundo os universitários, a PM jogou bombas de borracha e de efeito moral contra os manifestantes. Resultado A Umesp não comentou se as reivindicações dos estudantes serão atendidas, apenas afirmou, por meio de nota oficial, que "reconhece o direito do corpo estudantil de se mobilizar por melhores condições de ensino, pesquisa e extensão". Os alunos explicaram que a direção deverá criar uma comissão permanente para tratar de assuntos financeiros. Os universitários definirão os próximos passos sobre a questão das mensalidades assim que for marcada uma nova reunião com a diretoria da universidade.

Agencia Estado,

31 de março de 2006 | 16h29

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