Alunas fazem paródia de novela e criticam greve no ensino estadual da BA

Vídeo inspirado nas 'empreguetes' já tem mais de 105 mil visualizações no Youtube

Estadão.edu,

18 Junho 2012 | 17h11

Três adolescentes de um colégio estadual de Itaparica, na Bahia, criaram uma paródia de Vida de Empreguete, música da novela Cheias de Charme, da TV Globo. As jovens tinham como objetivo criticar a greve dos professores da rede estadual de ensino, que já dura mais 60 dias.

A música e o clipe das domésticas da novela ganharam uma versão que retrata a rotina das estudantes: "Vida de Estudetes". Bruna Moreira, Isabele Alcântara e Jamile Moreira são alunas do 3.º ano do ensino médio do Colégio Estadual Democrático Jutahy Magalhães.

Postado há apenas 5 dias, o vídeo tem mais de 105 mil visualizações. O clipe foi fruto de um trabalho escolar passado pela única professora que permanece ministrando aulas durante a paralisação. Os alunos tinham de retratar um problema político ou social. Procurada pelo Estadão.edu, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia reconhece, em nota, que a paródia está ligada à ausência de aulas na rede estadual e afirma que o governo "vem fazendo um esforço para assegurar a normalidade das aulas".

Os professores da rede estadual da Bahia estão em greve desde 11 de abril. Os docentes exigem um reajuste salarial linear para a categoria de 22,22% e que esse reajuste seja aplicado também aos vencimentos de aposentados.

O governo afirma não ter espaço no orçamento para conceder o reajuste a toda a categoria. Os 22,22% de aumento salarial foram dados apenas aos professores que não têm ensino superior, para que eles fossem enquadrados no novo piso nacional da educação. Para os que já tinham curso superior completo - e ganhavam mais que o piso -, foi dado o mesmo reajuste salarial concedido a todos os servidores estaduais este ano, de 6,5%.

Na semana passada, após uma assembleia, os professores decidiram manter a paralisação. A secretaria de Educação já estuda formas para repor os dias de aulas perdidos. A maior possibilidade é que o ano letivo seja estendido até janeiro. Segundo levantamento da pasta, metade das 1.412 escolas estaduais tem o funcionamento comprometido por causa da paralisação. Cerca de 730 mil alunos são afetados pelo impasse.

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