Aluna se queixa de pouco tempo para responder prova da OAB

Formada há dois anos, Elen Machado, de 38, quer ser juíza, mas não consegue passar no Exame da Ordem

Isis Brum, Jornal da Tarde

04 Julho 2011 | 14h38

O sonho de Elen Machado, de 38 anos, é ser juíza. Foi essa a motivação que a levou, sete anos atrás, a ingressar em um curso de Direito, em uma universidade particular de São Paulo. Formada há dois anos, conta que não consegue passar no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ela precisa comprovar três anos de exercício da profissão para prestar a prova da magistratura e realizar seu projeto de vida. O tempo escasso para responder às questões é, de acordo com a candidata, um dos principais problemas da prova.

 

Mas, na próxima edição, entra em vigor um novo modelo de avaliação. As questões da primeira fase foram reduzidas de 100 para 80 e, na segunda, de 5 para apenas 4 dissertativas. O prazo de cinco horas para resolver as questões foi mantido.

 

A aprovação no exame qualifica o bacharel para a prática da advocacia. Sem a carteirinha, sua atuação é proibida e constitui crime.

 

"Saí esgotada mentalmente do primeiro exame", relembra Elen. "As perguntas são extensas, é desgastante", diz ela, que não obteve a pontuação mínima nem mesmo para ir para a segunda fase. "Sempre bato na trave, faço 48 ou 49 pontos."

 

A OAB exige que o candidato acerte, pelo menos, metade da prova na primeira fase. Com a alteração, a nota mínima passa a ser de 40 pontos. Mas Elen não tem esperanças de que o exame se torne mais fácil. "Acho, até, que ficará mais difícil", opina. "O exame é malicioso, cheio de pegadinhas", avisa.

 

Estagiária em contabilidade jurídica, Karin Comporto, de 33 anos, critica a formação recebida na universidade em que estudou. "Faltou muita coisa. Se soubesse que precisava de mais conteúdo, teria estudado mais", diz ela, que agora paga cursinho preparatório para o exame da OAB.

 

Lacunas. Roberto Conceição, coordenador do cursinho Novo Exame de Ordem, onde Karin estuda, afirma que os alunos chegam bastante despreparados. "A maioria não chegou a ver na faculdade todos os tópicos abordados na prova", conta. "Os cursinhos tentam suprir essas lacunas, dando um reforço para que os candidatos tenham êxito."

 

Protestos contra exame chegam às redes sociais

 

Os protestos contra o exame da OAB chegaram às redes sociais, na internet. No site Facebook há pelo menos duas páginas de descontentamento - uma delas, a "#PROTESTOOAB", reuniu mais de mil pessoas. No Twitter, a adesão foi mais modesta: 245 seguidores. Para Edson Cosac Bortolai, da OAB-SP, "é natural que quem não passa queira o fim do exame".

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