Aluna relata tentativa de estupro dentro da USP

Estudante teria recebido bilhetes anônimos meses antes do ataque; Vítima não conseguiu identificar agressor

O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2014 | 22h34

 Uma estudante do curso de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) relatou em uma comunidade no Facebook que sofreu uma tentativa de estupro dentro da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista. Ela relatou que, após receber bilhetes ameaçadores, foi atacada quando entrava em seu carro. Segundo a aluna, não foi possível identificar o agressor.

O ataque teria ocorrido no dia 8 de agosto, no período da tarde, próximo ao prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). "Caminhei até a entrada da faculdade, quando lembrei que havia esquecido o celular no carro. Voltei para buscar. Abri a porta do carro e comecei a procurar o celular nos bancos da frente. Nesse momento fui surpreendida com um homem que veio pelas minhas costas me segurando pelo pescoço e forçando a entrada no carro", contou ela, em um grupo de debates da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP) na rede social. Segundo a estudante, ela já havia recebido bilhetes de ameaças, alguns endereçados a amigos que a acompanhavam. "Sem que me deixasse ver seu rosto, porque me segurava com força e violência pela nuca, falou meu nome e em seguida “eu te avisei”, repetidamente."

O agressor teria tentado imobilizá-la. "Ele me imobilizou e se deitou em cima de mim. Quando tentou abrir minha calça, consegui acionar a buzina do carro com meu joelho, alta e continuamente. O sujeito assustado bateu meu rosto com força na porta do passageiro, e fugiu correndo do carro, me impedindo de virar para tentar identifica-lo, uma vez que me recuperava da pancada."

A estudante, que está no 4º ano, diz ter feito um Boletim de Ocorrência do caso. Este já não era o primeiro, uma vez que ela já fora à polícia após as ameaças que recebeu por meio dos bilhetes. Sem ter identificado o agressor, ela relata que vive com medo e desconfiança. "Não fico mais em paz, em qualquer lugar da universidade. Não me concentro, mal consigo assistir às aulas com o mínimo de atenção". 

A reportagem tentou contato com a aluna na noite desta quinta-feira, dia 2, mas até as 22h30 não havia resposta. Também à noite entrou em contato com a universidade e aguarda retorno.

Nas últimas semanas, a questão de segurança na USP voltou à tona após a morte de um rapaz em uma festa do grêmio da Escola Politécnica e de um assalto, seguido de agressão, de uma atleta. Apesar do convênio com a Polícia Militar para policiamento no câmpus Butantã, o número de roubos cresceu 220% entre 2010 e 2014 dentro da unidade.

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