vonsasson/Pixabay
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Aluna é suspensa de escola que se recusa a debater comunismo e direitos LGBT

Estudante publicou post em que ironizou orientação pedagógica do colégio; entre os temas proibidos também estão sexo e religião

Aline Torres, especial para o Estado

20 Outubro 2017 | 21h27

FLORIANÓPOLIS - Uma aluna de 15 anos foi suspensa por dois dias da escola onde estuda em Lajes, em Santa Catarina, por não concordar com uma polêmica orientação pedagógica adotada pela instituição de ensino. A Univest distribuiu na terça-feira, 17, panfletos em que afirmava que os estudantes não deveriam aprender sobre "sexo, ideologia de gênero, ativismo LGBT, comunismo, esquerdismo e religião". Alice Forest publicou a imagem do papel em sua página no Facebook e escreveu: "2017, a nova idade média. (Pasmem, isso é real)".

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Na manhã seguinte, Alice foi chamada na coordenadoria e suspensa por dois dias. Uma amiga dela também teria sofrido penalidades e tido a bolsa de estudos cortada.

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"Eles falaram que eu expus a escola, que ofendi a imagem com a minha publicação. Ainda usaram uma palavra racista", disse Alice, que estuda há cinco anos na Univest, uma das maiores instituições de ensino privado do Sul do Brasil.

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A orientação pedagógica da Univest foi batizada de "Campanha contra a inversão de valores". A escola dispõe no currículo escolar de disciplinas como História, Biologia, Literatura, Filosofia, Sociologia e Arte.

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A mãe de Alice, a fisioterapeuta Fabiana Cruz, de 38 anos, estuda a possibilidade de mover uma ação contra a rede de ensino. "Suspensão é um termo leve. Na verdade, ela foi expulsa. Ela foi proibida de se matricular no ano que vem", explicou.

Priscila afirmou que só não trocou a filha de escola imediatamente porque prejudicaria o fim do ano letivo.

 

"Quando ela me passou a foto do panfleto, não acreditei que era da escola. Algo incabível para a nossa época. Como não estudar sobre o sexo se ensina sobre cuidados com DSTs, gravidez na adolescência? É Biologia", questionou. "Como estudar História e não estudar ideologias, movimentos de esquerda, comunismo, religião? Não faz sentido. E para piorar eu não esperava o radicalismo dessa represália."

Alice contou que no ano anterior a escola proibiu as alunas de usarem batons escuros, roxos, marrons, vermelhos. "Elas falaram que as meninas não deviam chamar a atenção. Eu achei que era uma atitude conservadora, mas não me posicionei contra porque não afetaria a minha formação intelectual, diferentemente da proibição de agora", afirmou a estudante. "Acho necessário estudar esses temas."

A reportagem não conseguiu contato nesta sexta-feira, 20, com o reitor Giovani Broering, do Centro Universitário Facvest, ao qual a Rede Univest está subordinada. Ao jornal Diário Catarinense, ele argumentou que "toda ação tem uma consequência".

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