André Lessa/Estadão
André Lessa/Estadão

Aluna desclassificada do Enem por engano tenta quarta data para fazer prova

Jacqueline Chen foi confundida por homônima que havia postado uma foto da prova nas redes sociais

Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

14 Dezembro 2012 | 01h03

Desclassificada por engano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a estudante Jacqueline Chen, de 16 anos, fará na próxima semana uma prova exclusiva montada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

O novo exame, garantido pela Justiça, deveria ter sido aplicado na quarta e quinta-feira desta semana, 12 e 13, no Dante Alighieri, colégio em que cursa o 3.º ano do ensino médio. Ao chegar à escola, foi surpreendida pela ausência de funcionários do consórcio que aplica o exame. “Tinha me preparado mais uma vez, feitos exercícios e, quando cheguei lá, não havia ninguém”, afirma. “Acho uma grande falta de respeito o que estão fazendo comigo.”

Em novembro, a aluna foi impedida de fazer as provas do segundo dia do Enem por ter sido confundida com uma homônima de Mogi das Cruzes (SP), que fotografou o exame e divulgou a imagem em redes sociais. A Jacqueline de São Paulo foi retirada da sala por um fiscal e obrigada a assinar um “termo de eliminação”. A de Mogi fez as questões sem interrupção.

O caso foi revelado pelo Estado e, no dia seguinte, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, entrou em contato com a mãe da jovem paulistana, pediu desculpas e assegurou que a aluna poderia fazer nova prova. "Quando o ministro me ligou assumindo o erro, ele veio com números, dizendo que aquele era um caso em milhões. Isso não importa, minha filha foi prejudicada", afirma Wu Shang Yi, mãe de Jacqueline. "Ela, que sempre foi a mais nova da turma e nunca mais será a mascotinha caso não entre na faculdade este ano", diz Wu.

"Teve que acontecer comigo para que eu percebesse como os problemas do Enem podem atrapalhar a vida de um aluno", declara Jacqueline. Posteriormente, a candidata de Mogi foi eliminada do Enem.

No final de novembro, a jovem ganhou liminar que lhe deu o direito de escolher local e data em que faria as provas e a dispensava dos exames nos dias 4 e 5 de dezembro, quando o Enem é aplicado em unidades prisionais e socioeducativas. Na ocasião, a família alegou que a jovem seria prejudicada, pois a data era próxima de outros vestibulares.

Uma decisão judicial emitida no final da quarta-feira, no entanto, prorrogou o exame para o dia 20. O Inep e o consórcio responsável pelo Enem recorreram à Justiça, pedindo prazo maior. “Nossa principal preocupação é que ela faça essa prova que lhe foi tirada”, diz Wu.

Documentos entregues pelo Inep à Justiça estimam um gasto de R$ 2,3 milhões para a reaplicação do exame à aluna. O valor refere-se a custos com produção, manuseio, segurança e logística. O MEC não se pronunciou sobre esse valor para a elaboração de um único exame.

De acordo com o MEC, Jacqueline terá o direito de fazer uma única avaliação, a que abrange questões de linguagens e códigos e de matemática, além de uma redação. A prova que a estudante fez no dia 3 de novembro deve ser computada.

A estudante não está satisfeita com a possibilidade de fazer o exame no dia 20 e, por isso, seus advogados pediram na Justiça neste quinta uma retificação da data para os dias 18 e 19. Isso porque a data estipulada pela Justiça coincide com a formatura da jovem. “Mais uma vez, Jacqueline seria prejudicada”, diz Evaristo Araujo, advogado da família.

Além dos transtornos que diz já ter sofrido com a eliminação, Jacqueline tem receio de que a falta de uma nota no Enem a prejudique em alguns vestibulares. Sua pontuação lhe garantiria pontos a mais na Unicamp e no Mackenzie, onde concorre a uma vaga no curso de Arquitetura. "Não me importaria em fazer cursinho no próximo ano caso não estivesse, de fato, me preparado o suficiente", diz Jacqueline. "Mas se eu não passar por conta do Enem, isso, sim, seria uma grande injustiça."

Para evitar isso, o advogado da família deve entrar com ação preventiva para que a nota da estudante seja acrescida posteriormente. A família também estuda entrar com uma ação contra os órgãos responsáveis pelo Enem, para uma “reparação do dano moral” causado à jovem.

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