Alta perfomance no Enem

Manter a calma, esquecer a decoreba e revisar contas antes de preencher o gabarito são algumas dicas dos campeões do exame

Felipe Mortara, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2010 | 23h31

Prova exaustiva, de 180 questões em dois dias, o Enem exige planejamento e calma. É difícil, porque enquanto o aluno aguarda a distribuição dos  cadernos de questões, sua adrenalina sobe. “Para mim, respirar fundo e até fechar os olhos ajuda bastante. Assim, na hora em que receber a prova, já estarei  mais tranquilo”, conta Iago da Silva Caires. Ele só está concluindo o ensino médio este ano, mas foi o terceiro colocado no ranking do Enem 2009.

 

Como Iago, candidatos que ficaram nos primeiros lugares do Enem contaram ao Estadão.edu suas fórmulas para se dar bem no exame, que vão desde ficar tranquilo e responder às questões na ordem a revisar todas as contas antes de preencher o gabarito. Uma recomendação unânime é fazer um raio X do exame. “É bom pegar a prova dos anos anteriores e entender como é feita, perceber qual tipo de raciocínio ela exige. Alguns simulados também ajudam”, diz Lucas Santos Costa.

 

Mineiro de Capitólio, a 240 quilômetros de Belo Horizonte, Lucas foi o 1º do Enem entre alunos de escola pública e o 14º no ranking geral. Seu desempenho, porém, não o ajudou a entrar no curso de Engenharia Química da Unicamp, que não usa a nota do exame.

 

O curitibano Henrique Leite, de 18 anos, que ficou em 1º lugar no ranking geral, considera o tempo de resolução da prova fator determinante. São 90 questões em 4h30 no primeiro dia. No segundo, são outras 90, além da redação, em 5h30. “O importante é não empacar numa pergunta; se tiver dúvidas, pule para a próxima. E não adianta cronometrar as questões porque umas demoram mais e outras menos”, diz Henrique. “Eu nem consegui terminar a prova”, lembra Lucas.

 

Henrique também não usou a nota do Enem. Passou em Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, cujo vestibular é considerado um dos mais difíceis do País. “A prova é muito específica. O Enem é mais abrangente, cobra o conteúdo de forma flexível e interdisciplinar”, diz o estudante, que deve lançar no ano que vem um livro com dicas de como ter sucesso no vestibular.

 

Lucas, que adotou como norma revisar todas as contas antes de completar o gabarito, não se preocupou em decorar fórmulas. “Não pedem muitas fórmulas de Exatas na prova”, explica. “O importante é entender, pois muitos decoram, mas não sabem por que estão usando.” Ele respondeu às questões na ordem em que vieram, sem dar prioridade às suas matérias favoritas, e separou uma hora e meia para a redação.

 

Iago sempre lê com cuidado a proposta de dissertação e os textos de apoio. “Dedico 10 minutos para fazer um brainstorm e reunir os conceitos mais pertinentes para aquele tema”, conta. “Toda questão vem com um texto, que muitas vezes ajuda. Os enunciados dão muitas dicas. Em história e geografia, por exemplo, não tem nada de decoreba de datas e nomes. Você precisa saber interpretar um gráfico e contextualizar.”

 

"Ler bastante, além de ser bom para português e redação, ajuda a não se cansar tanto. E também a ter energias para revisar suas respostas no fim."

Henrique Leite, de 18 anos, campeão geralno ranking do exame no ano passado

 

 

"Antes de mais nada, é preciso enxergar o Enem como uma avaliação específica. Não dos outros, mas sobre você mesmo."

Iago Caires, de 17 anos, 3° colocado geral do Enem 2009

 

 

 

"O Enem não é uma prova difícil, é mais cansativa do que complicada de resolver. A cabeça não vai ficando boa para o final da prova."

Lucas Santos Costa, de 18 anos, campeão no Enem oriundo de escolas públicas

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