Aliado de Alckmin ainda tenta barrar criação da CPI da Merenda

Aliado de Alckmin ainda tenta barrar criação da CPI da Merenda

Campos Machado alega que presidente da Assembleia assinou requerimento, o que é vetado pela regra interna

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2016 | 22h44

SÃO PAULO - Líder do PTB e aliado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o deputado Campos Machado tentará anular o requerimento com a pedido de instalação da CPI da Merenda na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), protocolado na semana passada com ampla adesão de parlamentares após a ocupação do plenário da Casa por estudantes de escolas técnicas e estaduais.

Nesta terça-feira, 17, por 49 votos, deputados da base e da oposição aprovaram o regime de urgência do projeto que cria a comissão parlamentar de inquérito, acelerando sua instalação. 

 

Segundo Campos, o requerimento da CPI foi assinado pelo presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), o que é proibido pelo regimento interno. O tucano é um dos investigados pela Operação Alba Branca, da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), por suspeita de integrar o esquema de superfaturamento e pagamento de propina em convênios da Cooperativa Agrícola Familiar (Coaf) para fornecimento de suco na merenda escolar para o Estado e 22 prefeituras. Ele nega.

O petebista, que se diz contrário à comissão porque o caso já é investigado pela polícia e pela Promotoria, questiona ainda o fato de Alesp querer dar prioridade à CPI da Merenda em vez de outras comissões protocoladas antes, como a CPI do Detran, para investigar suposto esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito.

"O que me estranha é que de uma hora para outra todo mundo resolveu assinar a CPI, só por causa da invasão dos alunos. Não pode ser assim. Até o presidente assinou, o que não pode. Talvez esse requerimento seja nulo", disse.

 

O projeto de resolução que cria a CPI deve começar a ser discutido hoje no plenário, mas a tendência é de que a comissão só seja instalada na semana que vem ou em junho por causa das obstruções que Campos pretende fazer. Os deputados discutem a proposta por até seis horas em duas comissões em plenário para depois votar o projeto.

Se for aprovado, o presidente da Casa pede para que os líderes indiquem os parlamentares que farão parte da CPI e o integrante mais velho convoca a primeira reunião da comissão.

"CPI, em 99% dos casos, não serve para investigar nada mas apenas para fins políticos. Voto a favor única e exclusivamente pela bancada do PSDB", disse o tucano Barros Munhoz. "Concordo com o deputado Campos Machado, vou atender a um pedido do senhor presidente. A CPI sairá como mais um atestado de idoneidade de vossa excelência", disse Milton Leite Filho (DEM), ao anunciar voto a favor da CPI para Capez. "Votamos nesta noite sobre pressão de meia dúzia de estudantes que invadiram essa casa", criticou Campos Machado.

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