‘Algumas turmas estão esfaceladas e terão mais atenção’, diz reitor da Federal de Santa Maria após tragédia

Segundo ele, câmpus deverá ganhar memorial aos alunos mortos no incêndio da boate Kiss

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

29 Janeiro 2013 | 01h48

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deve erguer um memorial aos alunos mortos na tragédia da boate Kiss, disse o reitor Felipe Martins Müller, de 46 anos. Segundo ele, o projeto está “quase configurado”. Falta definir, por exemplo, se o local terá indicação dos nomes das vítimas.

 

Müller soube do incidente na madrugada do domingo, por pessoas que ligaram para prestar solidariedade. Ele esteve nesta segunda-feira, 28, no velório coletivo no Centro Desportivo Municipal acompanhado de Amaro Lins, secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC). “Levamos palavras de conforto aos pais das vítimas. Eles perderam suas maiores riquezas.”

 

Existe a intenção de construir um memorial no câmpus?

 

Vamos estabelecer algumas ações com professores e demais servidores para homenagear as vítimas e minimizar a dor das famílias. Pode ser com a construção de um memorial, um espaço de oração e contemplação, para não deixarmos passar em branco essa situação que muito nos aflige. Tragédias como essa não podem voltar a acontecer no País.

 

Como o sr. vê a perda de dezenas de alunos de uma só vez para a universidade?

 

Nossa maior riqueza se esvai. Uma situação dessa magnitude inverte a ordem natural das coisas, quando morrem jovens no começo da vida profissional ou que acabaram de ingressar numa universidade pública após seleção extremamente difícil. Temos de fazer um trabalho muito importante para respaldar e dar tranquilidade ao retorno dos que ficaram.

 

A universidade planeja oferecer apoio psicológico aos alunos na volta às aulas?

 

O pessoal da Psicologia e do Serviço Social vai fazer um trabalho conjunto na semana que vem para auxiliar os estudantes, com prioridade para as turmas que perderam mais pessoas e estão mais vulneráveis. Algumas turmas estão esfaceladas. Docentes e servidores também vão receber suporte. Ao longo desta semana teremos reuniões diárias para nos prepararmos para o retorno das atividades acadêmicas. Já marcamos um grande culto ecumênico na próxima segunda-feira.

 

Muitos alunos têm atuado como voluntários após a tragédia. Como o sr. avalia essa atitude dos estudantes?

 

Foi uma situação que despertou a solidariedade de toda a cidade. Tivemos demonstrações desde de estudantes de Enfermagem e médicos residentes que foram para o Hospital Universitário no primeiro momento até de servidores que ajudaram distribuindo alimentos. Eles realmente tiveram uma atuação fundamental para minimizar o sofrimento das pessoas.

 

Existia algum espaço de entidades estudantis dentro do câmpus e que talvez tivesse uma estrutura melhor que a da boate Kiss para a realização de eventos?

 

O Diretório Central dos Estudantes tem uma área cedida pela universidade onde eles mantém uma boate que atualmente está passando por reformas para se adequar às exigências de isolamento acústico e do Corpo de Bombeiros. O local não funciona desde o ano passado. Lá tem várias portas de acesso, o consumo é pago à vista. Mas não nos cabe agora analisar isso. É hora de dar conforto às famílias e trabalhar para minimizar o impacto dessa dor que é muito grande para todos nós.

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