Alckmin é contra reduzir número de aulas de português

Proposta de novo currículo em discussão na Secretaria Estadual de Educação também prevê a diminuição da carga horária de matemática

Ocimara Balmant, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2011 | 11h31

O governador Geraldo Alckmin é contra diminuir a carga horária das disciplinas de português e matemática na grade do ensino médio, como sugere a proposta de matriz curricular enviada pela Secretaria de Educação a toda a rede. “É uma discussão, não há nenhuma decisão quanto a isso, mas, se pudéssemos, deveríamos aumentar”, disse ele.

 

Para o secretário estadual de Educação, Herman Voorwald, instigar a discussão é o que importa. “A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) prevê 12 disciplinas em 30 horas de aula. Como fazer isso na estrutura que temos? É esse debate que queremos fomentar”, afirmou.

 

Voorwald acredita, ainda, que o número de aulas de português e matemática não é o mais relevante.

 

“Com a grade do jeito que está, nós estamos bem em português e matemática? Não! Isso mostra como a questão é mais complexa do que uma hora a mais ou a menos de aula.”

 

O resultado do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado (Saresp) mostrou que 57% dos alunos do ensino médio estão abaixo do básico em matemática e 38% não absorveram conteúdos mínimos em português.

 

Para o secretário, a melhora do ensino depende, em primeiro lugar, da valorização do docente. “Se ele não estiver preparado e motivado, nada funciona. É um trabalho em cadeia: é preciso bons professores, infraestrutura apropriada e bom currículo.”

 

Modelo

 

Diminuir a carga horária é uma estratégia para que disciplinas como sociologia e filosofia ganhem mais espaço na grade e, também, para que seja feita a inserção de conteúdos que hoje não integram o currículo, como as aulas de língua espanhola.

 

A distribuição das disciplinas prevê a estruturação do ensino em três ênfases: linguagem; matemática e ciências da natureza; ou ciências humanas.

 

Nesse formato, todos terão menos aulas de português e matemática, mas a queda varia conforme a área.

 

A ideia é que, nas escolas em que haja pelo menos três turmas do 3.º ano, os alunos possam optar por uma das áreas de conhecimento.

 

Nas unidades que não tiverem número suficiente de classes, a proposta prevê grade curricular com distribuição equitativa entre as três áreas.

 

Ponderação

 

Para a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, fazer caber as disciplinas no tempo e no espaço é um desafio complexo, mas é preciso que a reformulação seja cuidadosa. “Não adianta só aumentar a carga horária, porque daí se corre o risco de criar aula em disciplinas em que faltam docentes. Se isso acontecer, haverá professores de uma matéria dando aula de outra.”

 

Um ponto a ser levado em conta, segundo ela, é o aumento do tempo de formação.

 

“Em vez de três, o aluno pode se formar em quatro anos. O importante é lembrar, sempre, que educação não é um menu e não pode ser tratada como cardápio”, afirma Maria Izabel.

 

PARA ENTENDER

 

Na divisão por ênfase, o aluno do diurno que optar pelo estudo da linguagem terá, durante três anos, 120 aulas a menos de português (de 560 para 440) e 160 de matemática (de 560 para 400). Mas assistirá ao dobro de aulas de sociologia (de 120 para 240).

 

Quem escolher matemática e ciências da natureza terá 160 aulas de português e 120 de matemática a menos. Por outro lado, aumentam em um terço as de física e química (de 240 para 320).

 

A maior queda se dará para quem optar por ciências humanas, com 200 aulas a menos de português e matemática (queda de 36%). Mas aumentam as aulas de filosofia (de 160 para 240) e sociologia (de 120 para 320 aulas).

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