Alckmin diz que não há interesse em assumir Hospital Universitário

Após ficar isolada no debate com grevistas, instituição vê governador negar proposta de reduzir déficit: 'não temos interesse'

Luiz Fernando Toledo e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2014 | 12h29

Atualizado às 22h31

SÃO PAULO - Depois de ficar isolada no debate sobre o encerramento da greve - as Universidades Estaduais Paulista (Unesp) e de Campinas (Unicamp) já aprovaram o abono de 28,6% aos servidores -, a Universidade de São Paulo (USP) sofreu mais um revés na tentativa de pôr fim à crise financeira. Nesta quinta-feira, 11, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que o Estado “não tem interesse” em administrar o Hospital Universitário (HU), localizado no câmpus da capital.

A transferência do equipamento para a Secretaria Estadual da Saúde era uma das propostas da reitoria para diminuir os gastos da instituição - hoje mais de 100% da receita estão comprometidos com a folha de pagamento. Outro complexo de saúde - o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho de Bauru - já teve sua desvinculação aprovada no mês passado pelo Conselho Universitário, órgão máximo da universidade.

Alckmin se comprometeu a entrar em contato com o reitor da USP, Marco Antonio Zago, para que ele suspenda as votações pela desvinculação dos hospitais universitários feitas pelo conselho. A reunião que aprovaria a medida está marcada para o início de outubro.

O tucano fez a promessa durante um protesto de funcionários do HU em visita nesta quinta-feira ao antigo Hospital Pan-Americano, na zona oeste da capital paulista. “A Universidade de São Paulo, não nós, foi quem levantou a hipótese de passar o hospital para a Secretaria da Saúde”, disse o governador, após ouvir as queixas dos funcionários durante entrevista coletiva.

“Nós não temos nenhuma posição favorável a isso. A iniciativa foi do reitor. Nós não temos nenhum interesse que passem o Hospital Universitário para nós (Estado)”, disse Alckmin. Ao se comprometer com os funcionários, o governador foi aplaudido. Com a negativa do governo estadual, a USP ainda pode tentar dialogar com o Município, o governo federal ou ainda com a iniciativa privada. Procurada, a reitoria preferiu não se manifestar sobre a resposta do governador, mas informou que mantém a comissão interna que discute a desvinculação do HU.

O Ministério da Saúde declarou que “não tem gestão” sobre o hospital e espera que a situação seja resolvida “sem que haja prejuízo à atenção da saúde da população”. Não mencionou, porém, a possibilidade de federalizar o equipamento. A Secretaria Municipal da Saúde afirmou que aguardará decisão da USP sobre o HU e disse que “acompanha a situação”.

Repercussão. A afirmação do governador foi comemorada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que tem tratado das desvinculações dos hospitais nas manifestações ocorridas durante a greve dos servidores, que já passa dos 100 dias.

“Pelo que estamos vendo, não há nenhum respaldo do governo nem da comunidade USP”, disse o coordenador do Sintusp, Magno Carvalho. Segundo ele, um abaixo-assinado contra a desvinculação do HU já tem 37 mil assinaturas de professores, funcionários e estudantes da universidade e deverá ser entregue em breve ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

Para professora e coordenadora da GV Saúde, Ana Maria Malik, o HU perderia a característica de ser um equipamento da USP. “Eu não sei se ele acrescentaria muito para o sistema de saúde do Estado”, disse. Segundo ela, o hospital tem respondido à sociedade como o esperado. “Ele tem funcionado de maneira bastante adequada nas duas coisas que se esperava dele: a formação de profissionais e a boa referência para as pessoas que moram na região oeste.” /COLABORARAM VICTOR VIEIRA E FABIANA CAMBRICOLI

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