Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Alckmin diz que greve dos professores 'não tem o menor sentido'

Governador afirmou que está disposto a dialogar, desconversou sobre o reajuste a docentes e considerou que há crise econômica

Ana Fernandes e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2015 | 13h16

Atualizada às 15h40

RIBEIRÃO PIRES - Uma semana após negar a greve dos professores no Estado, parados desde o dia 13 de março, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta segunda-feira, 4, que a paralisação dos docentes não tem sentido. "A greve não tem o menor sentido. Não se faz greve quando o governo quer dialogar, quando faz oito meses que teve aumento - nem completou um ano ainda - e quando se acabou de pagar o maior bônus da história", afirmou Alckmin. 

Um grupo de dez docentes, identificados com camisetas do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) interrompeu a agenda de Alckmin por volta das 11h30. Aos gritos de "Negocia, governador", os docentes carregavam faixas, panfletos e bonecos de chuchu, em referência ao apelido jocoso do governador. Após a chegada dos grevistas, Alckmin deu meia volta, entrou no carro e foi embora. Os professores tentaram então bloquear a saída do carro do governador, em um protesto que durou poucos minutos. 

"Tudo está sendo feito para merecidamente valorizar o magistério", afirmou o governador em relação à greve dos professores. Segundo Alckmin, houve pagamento de bônus no fim do ano aos docentes que atingiram metas e reajuste da categoria há oito meses.
O governador anunciou que serão contratados 6.350 professores concursados para o ciclo 1 do ensino fundamental na próxima segunda-feira, 11. Sobre o momento adequado para dar novo reajuste aos professores estaduais, Alckmin desconversou e disse que é preciso cautela nesse momento de crise econômica.

"Estamos frente uma crise econômica de extrema gravidade e governos têm problema de arrecadação duplamente, por perda de atividade econômica e por inadimplência. E nós não criamos pedaladas, aqui é ajuste fiscal direto", disse, em uma alfinetada ao governo federal - as contas do governo Dilma Rousseff (PT) são alvo do Tribunal de Contas da União (TCU), que verifica se houve crime de responsabilidade no uso das chamadas "pedaladas fiscais", quando rombos do Tesouro foram cobertos com empréstimos de bancos estatais.

Alckmin foi questionado pelos jornalistas sobre a ação da Polícia Militar do Paraná na semana passada que, ao coibir protestos de professores, acabou gerando um confronto com mais de 200 pessoas feridas. Alckmin preferiu não comentar a situação em Curitiba. "Isso é um problema do Paraná."

Apesar de ter dito diversas vezes que o governo estaria aberto ao diálogo, Alckmin entrou no carro e ignorou um grupo de cerca de 10 professores que chegou no fim do evento em Ribeirão Pires, na Região Metropolitana de São Paulo, onde o governador lançava uma obra da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)

Juscelino Rodrigues, professor e diretor de escola nos municípios de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, era um dos participantes e confirmou ter recebido reajuste em agosto do ano passado. "Ele (Alckmin) incorporou a bonificação, que a gente já recebia, com o reajuste, que foi de 22,8%. Mas não repôs a inflação dos últimos quatro anos, que foi mais de 22%."

Rodrigues afirmou que a bonificação já vinha embutida no holerite como "gratificação do magistrado". "Esse bônus sempre veio no nosso salário. E outra: é dinheiro do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), não é do Estado", explicou o docente.

O professor disse que chegou com uma hora e meia de atraso à agenda de Alckmin porque "todo mundo estava escondendo as informações sobre o endereço da visita".

Segundo Rodrigues, os professores tiveram de se passar por repórteres perdidos na prefeitura de Rio Grande da Serra para obter a localização exata da agenda do governador.

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