AGU pede afastamento de procurador no Ceará de ações do Enem

Nos últimos três anos, Costa Filho protocolou 11 ações contra o exame e Sisu

Lauriberto Braga, Especial para O Estado de S. Paulo,

06 Fevereiro 2013 | 19h31

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) a instauração de um processo disciplinar e o afastamento imediato do procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho de assuntos jurídicos referentes à área de Educação.

Nos últimos três anos, Costa Filho protocolou 11 ações contra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) - em todas elas, a AGU conseguiu comprovar a legalidade do Enem e do Sisu, derrubando os pedidos apresentados pelo advogado.

No caso mais recente citado pela AGU, Costa Filho é acusado de ter descumprido um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ao ingressar na Justiça Federal do Ceará pedindo a antecipação da divulgação do espelho da prova de redação do Enem 2012, que somente ontem foi liberado pelo Ministério da Educação (MEC). Costa Filho tentou derrubar essa alegação, afirmando que o TAC foi revogado quando o MEC divulgou novas regras para a redação do Enem 2012.

Costa Filho reagiu ao pedido, protocolado anteontem. “Trata-se de uma tentativa de calar o Ministério Público”, disse Costa Filho, que ainda não foi notificado oficialmente. Segundo ele, “o MEC conseguiu calar os alunos, quando eles não conseguiram ver a redação antes da divulgação das vagas pelo Sisu”.

“Não é a primeira vez que tentam me afastar das ações do Enem. Sofri isso em 2011 no caso do vazamento das questões do Enem pelo Colégio Christus e resisti”, disse Costa Filho. Ele diz que, em 22 anos de Ministério Público, nunca tinha recebido recomendações para se afastar de causas. “O Enem está eivado de irregularidades e todas as causas estão na Justiça. O exame não resiste ao teste de transparência”, assegura o procurador.

Mais conteúdo sobre:
Sisu Oscar Costa Filho AGU

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.