Agronegócio atrai estudantes

No sítio de sua família, Karina Saraiva Dametto, de 25 anos, aprendeu a gostar de animais e do clima rural. ?Desde pequena eu adoro o campo?, conta a jovem. O resultado não poderia ser outro. Decidiu fazer Zootecnia, atividade que existe há pouco mais de 30 anos e ainda é desconhecida de muita gente. ?Um amigo perguntou se eu iria trabalhar em cavernas?, conta Karina, entre risadas. Recém-formada, ela percebe o acerto de sua decisão e as oportunidades dadas pela profissão, graças ao desenvolvimento do agronegócio no País. Para entender por que esse ramo está em alta, basta saber que o zootecnista é o responsável por toda a produção animal, da criação do gado à piscicultura. O trabalho desse profissional inclui ainda cuidados com melhoramento genético, com o bem-estar, o manejo e a nutrição dos animais. Até no zoológico ele tem função, elaborando cardápios diferenciados para cada bicho. ?Cuidamos do elefante ao bicho-da-seda, passando pelos animais domésticos e pelas criações?, explica o coordenador do curso de Zootecnia da Universidade São Marcos (www.sao marcos.br), Aluísio Goulart Silva. Ele cita alguns exemplos de como a carreira ajudou a impulsionar a produção bovina e a avicultura no País. ?Há dez anos, o tempo de engorda de um frango era de 60 dias. Agora, com as melhorias genéticas e a alimentação balanceada, em 38 dias o animal está pronto para o abate. Isso significa maior produtividade?, afirma Silva. Nesse processo, a qualidade da carne está garantida, segundo ele. ?Produzir com qualidade em quantidade suficiente é um dos nossos lemas. Também levamos em consideração o bem-estar do animal e a saúde de quem vai consumir a carne ou algum outro derivado ?, diz o coordenador. ?Mesmo porque o nível de exigência do mercado é cada vez maior. A União Européia, por exemplo, só compra suínos criados livremente, pois eles vivem melhor assim do que quando são confinados.? Mas a área de atuação do zootecnista não está restrita ao campo. Prova disso é que hoje muitos profissionais trabalham em grandes centros como São Paulo. A explicação é simples: a capital paulista concentra várias indústrias de produtos e rações para animais e muitos dos donos de fazendas vivem na cidade. Karina é uma das zootecnistas que atuam em São Paulo. Ela está ajudando a desenvolver balanças inteligentes para animais na Toledo. Além de pesar gado, esses equipamentos são capazes de armazenar dados sobre o rebanho e dar análises sobre sua evolução por escrito, como as balanças de farmácia. Karina também faz viagens para testar o equipamento em campo e explicar seu funcionamento para pecuaristas. O curso tem duração de quatro anos e meio, com a necessidade de comprovar seis meses de estágio, e a maior parte das faculdades fica no interior. Apesar de também trabalhar com animais, a atividade nada tem que ver com a Veterinária, voltada para a saúde dos bichos, não para a produção. Considerada um dos centros de excelência no ensino da Zootecnia, a Universidade de São Paulo - USP (www.usp.br) mantém câmpus em Pirassununga, às margens da Rodovia Anhangüera. São 2.300 hectares de área total, com pastagens, instalações zootécnicas e rebanhos de bovinos de corte e leite, suínos, eqüinos, caprinos, ovinos e bufalinos, entre outros. O câmpus conta ainda com matadouro, frigorífico e escola de laticínios. A Faculdade de Zootecnia da São Marcos está instalada na capital paulista, mas dispõe de uma fazenda experimental em Guararema, na região de Mogi das Cruzes, onde os alunos desenvolvem parte de sua formação. Lá, eles executam atividades práticas e aprendem a acompanhar o desenvolvimento dos animais.

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