Agências reduzem duração de bolsas de pesquisa no exterior

Opção para quem deseja fazer o doutorado pleno no exterior é recorrer a fundações como a Fulbright

Ana Bizzotto e Carolina Stanisci, especial para O Estado de S.Paulo

26 Maio 2009 | 00h08

A política de concessão de bolsas no Brasil passa por uma mudança lenta e gradual. As entidades de amparo à pesquisa reduziram o número de bolsas de doutorado pleno, cursado integralmente no exterior, e aumentaram as de doutorado sanduíche, que preveem até três semestres fora do País. Com isso, as agências podem levar mais pesquisadores para universidades estrangeiras com os mesmos recursos.     "Já temos competência para formar pesquisadores na maioria das áreas", argumenta o presidente do CNPq, Marco Antonio Zago. O presidente da Capes, Jorge Guimarães, endossa a tese de que o Brasil tem hoje uma boa infraestrutura para formar doutores. Mas diz que as universidades brasileiras ainda têm lacunas em alguns campos do conhecimento. "Precisamos fortalecer áreas como oceanografia e energia nuclear."   Na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), o doutorado sanduíche agora é obrigatório por um ano para todos os bolsistas de doutorados que receberam os conceitos 6 e 7, os mais altos na escala de avaliação de qualidade feita pela Capes. "Não tem sentido fazer o doutorado inteiro no Brasil. Um período no exterior é importante para ver como está a ciência e a tecnologia no mundo, estabelecer relações e se tornar fluente em outra língua", avalia Mário Neto Borges, presidente da Fapemig e do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa.   Borges destaca o fato de o Brasil ter subido este ano da 15ª para a 13ª posição em produção de artigos científicos no mundo, segundo ranking da agência de notícias Thomson Reuters. "Nossos investimentos contribuíram para essa posição. O desafio agora é transformar esse conhecimento em inovações e produtos."   Uma opção para quem deseja fazer o doutorado pleno no exterior é recorrer a fundações como a Fulbright, que concede até 50 bolsas desse tipo por ano, em parceria com a Capes. "O investimento em bolsa sanduíche é importante, o que não significa que o doutorado pleno deva ser extinto", diz o diretor adjunto da Fulbright, Luiz Horta. "O Brasil já forma mais de 10 mil doutores por ano. Mas há áreas onde não temos competitividade, como nanotecnologia."   Outra opção é procurar diretamente instituições estrangeiras. Sites de universidades e fundações (veja box) podem fornecer informações úteis. "A vantagem do contato direto é saber quais linhas de pesquisa têm financiamento disponível", afirma Stéphanie Dion, representante da Conferência dos Reitores das Universidades de Quebec, no Canadá.

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