Agência fecha e mais de 400 brasileiros ficam sem intercâmbio

Ainda há estudantes em Dublin com o risco de serem despejados e saber se continuarão seus cursos

Andréa Cordeiro, Especial para o Estado de Dublin, e Paulo Saldaña,

06 Setembro 2013 | 16h48

Uma agência de intercâmbios que atua em Dublin, Irlanda, fechou as portas sem nenhuma explicação e deixou desamparados 410 estudantes brasileiros. Todos haviam comprado pacotes com a BFA Intercâmbios e, às vésperas de embarcar, não sabem o que fazer.

Há estudantes na capital irlandesa que correm o risco de ser despejados e sem garantia de que continuarão seus cursos, porque a agência não pagou as as escolas. Só neste ano, 670 brasileiros chegaram a Dublin por intermédio da BFA - mas não há confirmação de quantos permanecem no País. Mas só para este domingo está previsto a chegada de 15 estudantes.

A empresa pertence ao brasileiro Márcio Chaves e atua no país há cerca de 10 anos. O Estado tentou contato com Chaves e com a família dele no Brasil, mas não obteve sucesso. Informações de empregados dão conta de que ele fugiu para a Espanha.

Em Dublin, o ex-diretor comercial da BFA, Daniel Oliveira, informou que a empresa faliu. "Não temos dinheiro para mais nada. O Márcio deixou todos na mão, não responde minhas mensagens, nem ligações. Estou tentando fazer o máximo para resolver esse problema que envolve centenas de pessoas e seus sonhos e não deixar os estudantes que fecharam seus pacotes sem acomodação ou transfer", disse ele ao Estado.

O estudante Abimael Chibério, de 22 anos, comprou um pacote de intercâmbios recentemente e viria para a Irlanda em janeiro. “Ainda não sei o que fazer. Estou muito surpreso, pois era uma empresa com muitas recomendações. As notícias estão muito desencontradas. Recebi um e-mail do vendedor que me atendeu, dizendo que estava mais impressionado que eu”, desabafou Chibério, que mora em Natal e já pagou R$ 3 mil para a agência.

Cerca de 30 funcionários também foram dispensados sem explicações. Segundo ex-funcionários, que estavam nesta manhã em frente à agência, os salários estavam atrasados havia mais de três meses. “Percebemos que algo estava errado há alguns meses, mas sempre nos diziam que tudo ia ficar bem. Mas ontem, quando cheguei, fomos informados que foi decretada a falência. Eles não nos deram nenhuma orientação. Vendi até curso para a minha irmã, que não terá mais seu sonho”, disse o brasileiro Felipe Ferreira, de Salvador, que trabalhou quase um ano na agência.

Indicado como sócio administrativo nos contratos, o mineiro Valdeci Alves declarou que não tem detalhes da empresa - e que, na verdade, não é sócio, apenas o contador. "O problema da alta do dólar e do euro descontrolou a vida da empresa", diz ele, que é de Aymoré, em Minas, mesma cidade de Chaves. "Ele me pagava honorários, desconheço as transações financeiras."

*Atualizado às 17h44 para correção do número de atingidos, que foi revisado pelo entrevistado

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