Advocacia: leitura é fundamental

Quando criança, o advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira subia em cadeiras e fingia estar num tribunal, imitando seu pai, que era jurista. Anos depois, o sonho de ser advogado se realizou: em mais de 30 anos de carreira, ele foi presidente da OAB, Secretário da Justiça e da Segurança Pública. Formado pela PUC, já defendeu gente como o ex-prefeito Celso Pitta e o tesoureiro da campanha de Fernando Collor, Paulo César Farias. A reportagem da Agência Estado acompanhou o encontro do estudante João Ambrósio Tannus, de 18 anos, que faz cursinho há 2 anos, com o advogado, no qual o vestibulando pôde tirar suas dúvidas sobre a carreira. João - Quando você descobriu que queria ser advogado? Mariz - Eu sempre quis ser advogado. Quando eu era criança, subia numa cadeira e já queria fazer uma audiência. Nunca tive dúvidas. Isso porque o meu pai era advogado e fui trabalhar em seu escritório quando tinha 15 anos. A faculdade de direito atingiu suas expectativas? Eu sabia qual era a natureza das aulas que teria. Eram aulas discurssivas, com pouca prática. O meu entusiasmo pela vida acadêmica foi plenamente satisfatória. A carreira de advogado é sempre ligada à política? Não. Mas a profissão tem uma propensão para a política. O advogado pode fazer uma política suprapartidária ou ideológica, mas está sempre inserido num contexto social. Ele tem que trabalhar com o homem e conhecer as várias camadas sociais. O que o senhor acha do aumento do número de faculdades de direito? Esse aumento me deixa preocupado. Não haveria problema se a qualidade de ensino não tivesse caído. Isso não quer dizer que você não tenha jovens bons advogados, promotores ou juízes. Não tem professores de nível razoável para ministrarem aulas teóricas e práticas. Hoje as escolas abrem e depois escolhem o corpo docente. Como é o dia-a-dia? É emocionante. É a única profissão que você não tem uma rotina linear. Ela é cheia de imprevistos e surpresas. Emoções vigorosas todo dia. Você trabalha diretamente com o homem, todas as suas grandezas, misérias e tragédias. Nosso material de trabalho é esse. O que o senhor acha que o diferenciou dos outros advogados? Não sei. Acho que nunca me conformei com um situação estável, eu sempre quis mais. Não só no aspecto material, é uma questão de não ficar satisfeito com o que já sabe ou com os horizontes que já abriu. Sempre querer mais, procurar se aprimorar lendo e estudando. Principalmente ler, que é uma boa bagagem para o advogado que tem que escrever e falar bem. A leitura ajuda a ser bom profissional. Qual a sensação que sentiu ao entrar pela primeira vez num tribunal? A mesma sensação que sinto até hoje. Na primeira vez, você está nervoso e tenso, mas não tem um compromisso maior do que cumprir seu dever. Depois de uns 30 anos, quando tiver um nome, qualquer coisa que perdoariam no início não perdoarão mais. E o mercado de trabalho? Ao contrário do dizem, está muito bom. É bom para quem está bem preparado porque estudou numa boa faculdade ou se preparou como autodidata. O mercado abre em leque. Há emprego em escritórios e concursos para pelo menos seis carreiras dentro do direito.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2002 | 20h47

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