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Adolescentes e a hora de distanciar

Não será fácil para pais e filhos retomar esse caminho, mas é importante para ambos

Rosely Sayão*, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2021 | 05h00

Desde o início da pandemia, penso muito nos adolescentes. Essa etapa da vida é o início do necessário afastamento da família que levará, gradualmente, o filho a assumir toda a responsabilidade pela própria vida. É quando eles trocam de turma: a família, que foi seu grupo principal durante a infância, cede lugar aos amigos, namoradas/os, colegas; os programas em família são substituídos por eventos com pares.

Apesar de ser um período almejado e sedutor para os jovens, não deixa de ser assustador dar adeus à infância já que os problemas, antes resolvidos pelos pais, as escolhas feitas antes por eles e tudo o mais, passam a ser da sua responsabilidade. Por outro lado, para os pais também é um período de transformações já que precisam aprender a delegar ao filho, sempre tutelando, as responsabilidades que, antes, eram deles. Também não é fácil viver a chamada síndrome do ninho vazio.

E não é que a pandemia provocou uma reviravolta? Adolescentes retornaram a uma situação infantil e os pais voltaram a se acostumar com a dependência do filho. Agora que estamos, mantendo os cuidados ainda muito necessários, retornando à vida social presencial, pais e filhos terão de reaprender a viver a transição. Não será fácil, para ambos. Ainda mais agora que estamos nos aproximando das festividades tradicionais de fim de ano.

Muitas famílias já estavam começando a aceitar negociar com o filho adolescente a ausência dele na família no réveillon, já que eles gostariam de comemorar a data com grupos de amigos. Agora, muitos jovens irão, novamente, voltar com esse pedido aos pais. E aí? As primeiras preocupações podem ser com a saúde do jovem: adolescentes em grupo costumam se esquecer com facilidade das recomendações. Mas, caros, esse tipo de preocupação poderá esconder uma dificuldade: a de permitir que o filho continue a traçar o seu caminho.

Precisamos saber diferenciar entre aceitar a demanda do filho e as negociações que podem ocorrer a partir dela. Por exemplo: se ele pede para viajar só com a turma, é bom saber se tem capacidade de se cuidar sem a tutela, se consegue evitar situações que vão contra valores e princípios. Caso os pais considerem que ele cumpre os requisitos que acham importantes, aí é a hora de propor a contrapartida. Os pais permitem a viagem e solicitam, por exemplo, que ele esteja sempre atento aos chamados do celular ou que ligue em determinados horários, o que significa tutelar à distância. Não será fácil para pais e filhos retomar esse caminho, mas é importante para ambos. 

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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