Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Acordo com Doria garante parte do 13º salário na Unesp

Pagamento atrasou nos últimos dois anos; lei prevê reembolso de R$ 83 mi por trabalho de funcionários em hospital

Isabela Palhares , O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - Após dois anos com o pagamento atrasado do 13.º salário dos servidores, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) diz que neste ano conseguirá pagar a remuneração em dia. Metade do recurso foi garantida com a sanção de uma lei pelo governador João Doria (PSDB) que prevê reembolsar a universidade pelos funcionários cedidos para trabalhar no Hospital das Clínicas de Botucatu, gerido pela Secretaria Estadual de Saúde. 

O reembolso deste ano será de R$ 83 milhões e o pagamento do 13.º é calculado em R$ 170 milhões, mas a universidade diz já ter garantido o restante. “Vai ser a primeira vez desde 2017 que vamos começar o ano com um cenário orçamentário mais favorável, sem dívida salarial”, disse o reitor Sandro Valentini. 

Desde 2010, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu é por lei vinculado à Secretaria Estadual de Saúde para fins administrativos e à Unesp, para fins de ensino, pesquisa e extensão. No entanto, alguns funcionários da universidade foram afastados das funções nos últimos anos para trabalhar exclusivamente para o hospital, que é o maior da região e atende 68 municípios. 

“Há anos negociamos com o governo do Estado mais recursos ou que a nossa folha de pagamento de servidores seja aliviada. Não são recursos novos para a Unesp, mas quem tem de cobrir essa despesa, que é a Secretaria de Saúde, vai passar a fazê-lo”, disse o reitor. 

Crise. Nos últimos dois anos, a Unesp sofreu um agravamento da crise financeira, o que levou a uma série de medidas polêmicas. A instituição iniciou 2019 com o atraso do pagamento do 13.º salário e depois foi a única universidade paulista a não conceder reajuste salarial aos servidores - USP e Unicamp deram aumento de 2,2%. Antes, em 2018, a Unesp apresentou e iniciou um plano de reestruturação acadêmica e administrativa para reduzir custos. 

Valentini diz que a situação financeira da universidade melhorou e, no início de 2020, vai conceder o reajuste salarial de 2,2% como foi prometido aos servidores. “Conseguimos reequilibrar as contas da Unesp. Em 2016, 101% do que a universidade recebia de recurso do Estado ia para o pagamento de servidores. Agora, vamos fechar o ano entre 86% e 88%. Aos poucos, para não desequilibrar as finanças, vamos revertendo as perdas que aconteceram nos últimos anos.”

Além do reajuste, Valentini quer no próximo ano abrir concurso para a contratação de 100 professores e 50 servidores técnico-administrativos. A Unesp não contrata novos servidores desde 2014, quando foram congelados os concursos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.