'Acho razoável a USP suspender o convênio com a PM', diz professora

Presidente da Adusp, Heloisa Borsari fala das ações da entidade em apoio a manifestação de estudantes

Felipe Frazão, O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2011 | 23h54

Qual a posição da Adusp em relação à segurança na Cidade Universitária?

 

Queremos um debate que separe segurança da Polícia Militar. Construir uma proposta com a Guarda Universitária composta por funcionários, que vão se ocupar de uma segurança que respeite os direitos humanos, cidadania e seja mais democrática. A gente quer isso para USP e para todo mundo. Não é um privilégio para estudantes. Também não é adequado que a PM seja prioritária para cuidar da segurança da população em geral. Queremos um diálogo com a reitoria nesse sentido.

 

A Adusp quer que a PM saia já do câmpus, de imediato?

 

A questão é complexa. Não dá para dizer desse jeito, é complicado. Temos que construir a proposta de segurança. Acho razoável, nesse momento, que suspenda esse convênio que sequer foi discutido com o Conselho Universitário. Nunca nada foi discutido nem com a comunidade. Se o convênio existir durante algum tempo até que se forme uma Guarda Universitária adequada, tem que ter termos de respeito à cidadania.

 

Mas e até lá? Os estudantes querem a saída de imediato por tudo que aconteceu.

 

Existe uma palavra de ordem que é "Fora PM", que tem um conteúdo político, não pode se reduzir a sim ou não. Os estudantes sofreram uma violência muito grande ontem (terça-feira). A gente quer que seja estabelecido já, de imediato, para amanhã, um canal de diálogo com a reitoria. Se nesse canal ficar claro que a PM tem que ficar aqui mais um ou dois meses, se for consensual isso, que se aceite. Desde que os termos do convênio sejam alterados. Se você me disser "enquanto não tiver uma guarda adequada, vamos ajeitar o convênio?" talvez a gente tope.

 

E qual é a motivação, a conduta da PM ou a ação da Tropa de Choque?

 

É o conjunto da obra. O potencial explosivo da PM no câmpus já está dado. Como a PM trata o pessoal da favela São Remo e da periferia? Do mesmo jeito, truculento igual aqui. Não é uma polícia treinada para lidar com direitos da cidadania. Quando houve o quebra-quebra na faculdade de Filosofia, vieram à tona vários acontecimentos anteriores que já se mostravam inadequados. Gente que tinha sido revistada saindo de biblioteca, sem a menor justificativa, uma professora saindo de carro foi parada e teve que descer para que o carro fosse vistoriado sem motivo. Já havia indícios de que ia acabar mal.

 

Os guardas universitários reclamam que não têm armas, nem cassetetes, sequer algemas. Eles estão preparados para conter uma ação violenta?

 

Tem situações em que a guarda tem que ter autorização para chamar a PM. Somos contra a presença cotidiana aqui. Esta guarda precisa de reforço, de mais gente concursada, ser treinada. Se a guarda vai ser armada ou não, tem que ser discutido com mais tempo. E tem que iluminar esse câmpus.

Quando as reivindicações serão encaminhadas à reitoria e ao governo do Estado?

 

Tentaremos amanhã (quinta-feira), mas é certo que até o final da semana faremos isso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.