Acesso à escola é desafio para crianças com deficiência

Por mais que as políticas de inclusão dosportadores de deficiência física e mental tenham avançado no País, o acesso à escola das crianças com algum tipo de incapacidade ainda é um desafio. Pesquisa do IBGE feita com base no Censo 2000 e divulgada nesta sexta-feira mostra que, enquanto 95% das crianças de 7 a 14 anos sem deficiência física ou mental freqüentam as salas de aula, esse porcentual cai para 88,6% entre as que têm pelo menos uma deficiência e para 75% entre os que têm deficiências graves.Além disso, as deficiências atingem mais os pobres do que os ricos. No universo de brasileiros sem instrução ou com nomáximo três anos de estudos, que são também os de menor renda, 33% têm alguma incapacidade. Esse porcentual é reduzido à metade (16,7%) entre os que têm entre 4 e 7 anos de estudos e a apenas 10% entre os que completaram o ensino médio."Maior do que a diferença regional,o grande separador é o nível sócio-econômico. Há uma grande relação entre o nível sócio-econômico e a escolaridade. As pessoas com menos instrução estão mais expostas a difíceis condições de trabalho, de saneamento, têm mais dificuldade deacesso a serviços médicos. Todos esses são fatores que levam à incapacidade", diz a pesquisadora do IBGE Alicia Bercovich.EmpregoA dificuldade de encontrar emprego também está expressa nos números do Censo 2000. Enquanto a taxa de ocupação em 2000 entre os brasileiros sem qualquer deficiência era de 63% para oshomens e 37% para as mulheres, na população com alguma incapacidade física caiu para 32% entre os homens e 12% entre as mulheres.No caso de deficiências mentais, o porcentual era de apenas 24,2% empregados e 13,7% de mulheres. As melhores taxas de ocupação entre os portadores de deficiência estão entre os homens cegos ou com dificuldade permanente de enxergar, com 56% de empregados.Em relação à freqüência à escola, os dados revelam que a deficiência física permanente afasta mais as crianças da escola do que a deficiência mental: apenas 61% das crianças da primeira categoria freqüentam as salas de aula, enquanto na segunda a taxa sobe para 66,5%.Deficiência visualEntre os que têm alguma incapacidade, a maior taxa de escolarização é entre os cegos ou com sérias e permanentes dificuldades de enxergar: 93,3% freqüentam a escola."É claro que não é suficiente matricular parte das crianças portadoras de deficiência no ensino regular, é também necessário que os educadores estejam preparados para incluir efetivamente essesestudantes no sistema", ressalta o estudo do IBGE.A alfabetização também é bem menor entre os portadores de deficiência, com 72% da população de 15 anos ou mais com alguma incapacidade apta a ler e escrever, quando a taxa total do País é de 87,1%.Mais jovensSegundo Alicia Bercovich, a boa notícia é que quanto mais jovem o portador de deficiência, mais perto da taxa nacional de alfabetização ele está, o que indica o sucesso dos programas de inclusão.Entre os diversos tipos de deficiência, a visual é a que menos impede a alfabetização: os total ou parcialmente cegos são os que mais se aproximam das médias nacionais.A análise dos dados segundo região e cor revela que a maior parte dos portadores de deficiência (16,8%) está no Nordeste e é de cor negra (17,5%). Mais uma vez, a incidência é maior na região e na raça onde são maiores os porcentuais de pobreza.

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