Ação afirmativa melhora a universidade, dizem debatedores

Representantes da Unicamp e da Unifesp discutiram vantagens e problemas das cotas e bonificações

Da Redação,

29 de abril de 2008 | 15h57

Programas de ação afirmativa, que promovem a integração de estudantes de escolas públicas e de minorias étnicas nas universidades públicas, melhoram a qualidade das instituições e do corpo de estudantes, ao promover a diversidade. Além disso, muitos estudantes que ingressam nas instituições graças a esses programas acabam demonstrando uma dedicação superior às dos colegas admitidos pelo vestibular normal.   Veja também:   Debate sobre Inclusão nas universidades públicas   Nestes pontos concordam o coordenador do vestibular da Unicamp, Leandro Tessler, e o pró-reitor de graduação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Luiz Eugênio Mello. Ambos participaram de um debate sobre o assunto na TV Estadão.   A Unicamp tem um programa de ação afirmativa baseado em uma bonificação de pontos no vestibular. De acordo com Tessler, segundo estimativas da Unicamp, a universidade possui de 500 a 550 alunos que não estariam estudando na Unicamp caso o programa de ação afirmativa não estivesse sendo aplicado. "No caso da Unicamp, o programa de ação afirmativa funciona bem porque nós já possuíamos um vestibular inclusivo, antes mesmo de adotarmos o programa", explicou.   Para o coordenador do vestibular da Unicamp, as maiores críticas contra o sistema de ação afirmativa não fazem sentido: "Os alunos dizem que a qualidade do corpo dicente vai cair. Pelo contrário: vai aumentar, já está aumentando." Para Tessler, a diversidade proporcionada pelos programas de inclusão contribuem para o enriquecimento do ambiente acadêmico. "É interesse da universidade ter o melhor corpo dicente possível, porque traz diversidade e diferentes visões de mundo para o ambiente universitário", disse.   A Unifesp adota um sistema de cotas, que segundo Mello, acaba acaba revelando as deficiências do ensino médio na rede pública, e citou como exemplo as dificuldades de estudantes admitidos pelo sistema em seguir os cursos que dependem muito de matemática. "A matemática é um ponto grave nos programas de inclusão atual, porque a maioria dos ingressantes do ensino público não conseguem acompanhar os cursos universitários que 'puxam mais' em matemática. Se o ensino público não melhorar, vai chegar num limite onde os sistemas de inclusão não vão mais conseguir incluir."   O representante da Unifesp afirmou, ainda, esperar que o sistema de cotas não dure "para sempre"  - que, um dia, torne-se desnecessário, graças a um avanço do ensino público. "Nosso programa é avaliado e modificado anualmente. Espero que ele não exista para sempre, porque é uma tentativa de resolver uma deficiência notável no ensino mpedio público."

Tudo o que sabemos sobre:
ação afirmativacotasunicampunifesp

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.