Absenteísmo docente: em defesa dos professores

Para professor da USP, a superação do absenteísmo demanda esforços, sem fazer dos professores 'vilões ou culpados'

30 Maio 2014 | 22h45

Ocimar Munhoz Alavarse*

Um dos grandes debates da educação brasileira é sobre a valorização de seus professores, adensado com as evidências de falta de professores, especialmente em algumas disciplinas, e do absenteísmo docente. Se os resultados do trabalho escolar dependem fortemente das condições sociais e econômicas de seus alunos, não menos verdadeiro é o reconhecimento de que dentre os fatores escolares que mais contribuem para a aprendizagem dos alunos encontra-se o trabalho docente.

O fenômeno do absenteísmo docente, sem paralelo com outras atividades profissionais, pesa negativamente para o sucesso escolar, notadamente pelo efeito devastador na organização do trabalho pedagógico cotidiano em patamares adequados, mesmo na presença de eventuais substitutos, e reforça justamente a importância dos professores.

Sem fazer dos professores "vilões ou culpados" e, ao mesmo tempo, incorporando-os na reflexão, a superação do absenteísmo demanda esforços que, desconsiderando supostas fraudes em atestados, devem se concentrar em dois planos. Um, que pode estar associado à melhoria de atendimento ambulatorial de professores, é no sentido de investigar a fundo as causas do grande número de professores que adoecem no exercício profissional ou simplesmente ausentam-se do trabalho.

Outro é incidir nos fatores que essa investigação pode sinalizar e que, muito certamente, indicará a necessidade de alteração das condições de trabalho, para garantir a dignidade dos professores e favorecer uma educação de qualidade.

*Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)

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