Clayton de Souza/AE-14/5/2010
Clayton de Souza/AE-14/5/2010

'Aborreço-me com o que vêm de amigos', diz reitor da USP sobre título de persona non grata

Rodas diz que não questionou o uso de edifício da Faculdade de Direito que foi tomado de volta pela Prefeitura

Carlos Lordelo, Estadão.edu

07 Outubro 2011 | 00h11

O reitor da USP, João Grandino Rodas, nega ter pedido à Prefeitura de São Paulo que retomasse a posse de prédio auxiliar da Faculdade de Direito, no centro. Segundo ele, a Prefeitura notificou a reitoria sobre a “casa abandonada” e pediu o imóvel. “Eu só disse ‘tudo bem, vamos rescindir o contrato’”, diz Rodas. Na primeira entrevista desde que foi considerado persona non grata pela Congregação da São Francisco, Rodas fala ao Estadão.edu sobre sua relação com a mais tradicional unidade da USP.

 

O solar seria usado para a promoção de cursos específicos para servidores da Prefeitura?

 

Não, seria usado para a realização de cursos de extensão e de especialização a serviço da comunidade abertos com a autorização da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão. Existia potencial para se fazer cursos em que procuradores pudessem participar, assim como milhares de pessoas. Mas não estou dizendo o que a faculdade deveria ter feito. Ela só deveria ter resolvido logo o destino do prédio.

 

Então não havia contrapartida?

 

A contrapartida era fazermos um curso desses de pós-graduação lato sensu que são feitos às centenas. São cursos livres, em que se entra sem vestibular. Qualquer pessoa que tenha feito faculdade poderia se inscrever.

 

O sr. nunca interferiu no uso do prédio?

 

O imóvel estava nas mãos da Faculdade de Direito. A reitoria não questionou o uso do prédio. E eu nunca soube o que a faculdade queria fazer ou não. As unidades têm certa autonomia. Quando eu saí da direção da faculdade, o edifício tinha guarda, limpeza e licitação para a compra de móveis. A licitação foi cancelada e eu não soube de nada. Também não fiquei me preocupando com isso.

 

Por que o sr. fez boletins criticando a faculdade?

 

Não fiz críticas. O primeiro boletim saiu porque ia ocorrer uma aula pública e havia cartazes afirmando que eu não fiz nada pela faculdade nos últimos dois anos. No boletim, mostrei o que fiz e o que foi pedido pela nova gestão. Não é nada contra o professor Magalhães (diretor da São Francisco). Ele também é uma vítima das circunstâncias.

 

Mas o boletim é um instrumento oficial.

 

Não se estava usando o pátio e as paredes da universidade para fazer um movimento para falar mal da administração passada, dois anos depois. Nada mais justo (que fazer o boletim). Faria de novo. Ele só foi enviado para a faculdade, em uma edição particular. Não foi mandado para outras unidades. E nisso foi feito um furor. Quer dizer que não tenho direito de defesa?

 

E em relação à biblioteca, um problema que afeta diretamente os alunos?

 

O problema é que nunca se definiu o que se queria. Tiraram um pedaço, deixaram outro. Quando foi pedido para a USP reformar os andares subsequentes (do 5.º ao 9.º pisos), cuja obra havia sido impedida de começar, nós fizemos.

 

O que o sr. achou de ser considerado persona non grata?

 

Não tenho nada a dizer a respeito. Não perco tempo verificando isso. Aborreço-me com coisas que vêm de amigos.

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