Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Aberta a temporada de bolsas de estudo no exterior

Oportunidades são para Europa e EUA; fluência em outro idioma ainda é o maior entrave para brasileiros, dizem especialistas

Isis Brum, Jornal da Tarde

22 Agosto 2011 | 11h27

Vem aí um mês chave para quem pretende estudar no exterior sem gastar demais. Terminam em setembro as inscrições para vários cursos oferecidos em instituições estrangeiras, entre elas espanholas, portuguesas e italianas. Há bolsas ofertadas por faculdades particulares e pelos governos dos países. O próprio Brasil tem investido pesado neste segmento: na semana passada, o governo liberou as primeiras 2 mil bolsas do programa Ciências sem Fronteiras.

 

Procurar o setor de relações internacionais da instituição em que estuda é o primeiro passo para o aluno buscar informações sobre intercâmbios. Além disso, é preciso garimpar oportunidades na internet, visitando sites dos governos dos países almejados e participando de fóruns em blogs de gente que já passou pela experiência. Até mesmo algumas agências de viagens têm informações sobre bolsas, sobretudo aquelas destinadas para atletas.

 

Gerente educacional de Au Pair e universidades da CI Intercâmbios, Fabiana Fernandes afirma que “o estudante brasileiro não faz ideia de como é fácil preencher a documentação para bolsas no exterior”. Ela garante que existem bolsas mesmo para alunos medianos. Segundo Fabiana, estudantes da graduação costumam encontrar muitas opções.

 

Foi durante a graduação em Relações Internacionais que o estudante André Leal, de 25 anos, conheceu o programa de intercâmbio oferecido pela Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), na Liberdade, região central da cidade. Junto com mais 21 alunos, foi selecionado para estudar na Polônia por dois meses. “Quando a faculdade tem programas assim, faz toda a diferença, pois agrega muito valor à carreira.”

 

Além dos programas encampados pelas faculdades, há também bolsas oferecidas pelos próprio governos dos países, caso de Estados Unidos, Canadá, Espanha, Itália e França - local que recebeu o maior número de bolsistas brasileiros em 2010: 1.502, segundo dados do Ministério da Ciência & Tecnologia. Entidades como a Fundação Estudar, instituições financeiras e organizações não governamentais têm incentivos para estudantes viajarem o mundo e se aprimorarem profissionalmente. Mas vale um alerta: geralmente, essas bolsas não cobrem as passagens aéreas.

 

Planejamento. Para quem ainda está começando a conhecer o universo das bolsas de estudo o ideal é começar a planejar a viagem com um ano de antecedência, dizem os especialistas. “É um bom período para aperfeiçoar o inglês, se for o caso”, recomenda Bruno Seixas, gerente de Higher Education do Student Travel Bureau (STB).

 

A fluência em um segundo idioma, aliás, continua a ser uma barreira para o preenchimento de vagas em cursos estrangeiros. “Há muita gente qualificada, mas não tem o idioma ”, afirma Renata Moraes, porta-voz da Fundação Estudar. Lá, o estudante ou recém-formado se torna membro da instituição, escolhe o curso que quer fazer no exterior e oferece um plano de pagamento depois que se colocar no mercado de trabalho.

 

Outra opção é acompanhar os editais que são abertos regularmente para bolsas de estudo nos programas das agências de fomento à pesquisa do País - como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Governo federal vai bancar 75 mil bolsas até 2014

 

A previsão do programa ‘Ciências em Fronteiras’, lançado em julho pelo Ministério da  Ciência & Tecnologia, é oferecer 100 mil bolsas de estudos no exterior para a graduação e pós até 2014. Setenta e cinco mil serão bancadas pelo governo e as  outras 25 mil pelo setor privado. As primeiras 2 mil vagas para graduação sanduíche (metade do curso no Brasil e metade no exterior ) saíram na semana  passada.

 

Segundo Glaucius Oliva, presidente do CNPq, ligado ao Ministério da Ciência, os investimentos são de longo prazo. “O País precisa inovar”, disse. “Precisamos aproveitar esse momento e nos consolidarmos como um País capaz de garantir seu espaço na sociedade do conhecimento.”

 

O programa deve priorizar os cursos de Engenharia. A nota do Enem valerá como um dos critérios de seleção. Mais informações estão no site www.cienciasemfronteiras.cnpq.br.

 

OPORTUNIDADES

 

PORTUGAL

- O Programa Bolsas Luso-Brasileiras oferece 165 vagas para um intercâmbio de seis meses. As inscrições podem ser feitas até 25 de setembro, pela internet (www.santanderuniversidades.com.br/bolsas). É preciso estar matriculado em uma graduação de uma das 18 instituições parceiras do programa, entre elas Unifesp, Unicamp, USP e Unesp

 

ITÁLIA

- O Instituto Europeo di Design (IED) oferece bolsas para estudantes que desejam cursar mestrado na Itália ou na Espanha. Serão 38 vagas. Há mais informações na internet (http://creativediary.net/fashion-and-design-scholarships-rules-2011-2012). Inscrições até 20 de setembro

 

ESPANHA

- O Centro Universitário de Tecnologia e Arte Digital da Espanha (U-tad) está com inscrições abertas, até dia 31 deste mês, para bolsas de estudos na área de graduação, válidas para os quatro anos do curso. O regulamento está na web (http://www.u-tad.com/es)

 

- Estão abertas as inscrições para o programa de pós-graduação em Direito da Universidade de Castilla, com opções de bolsas da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID). As inscrições vão até o dia 17 de novembro. Mais informações sobre o curso na web (http://www.aecid.es/es)

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