Abaixo de zero

Brasileiros enfrentam a neve e o frio cortante para desenvolver projetos e pesquisas na Antártida

Carlos Orsi, Editor de Ciência do estadao.com.br

25 Janeiro 2010 | 23h51

A Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), mantida pelo Brasil no continente gelado, é essencialmente uma base para a realização de estudos científicos. E embora vários projetos sejam encabeçados por pesquisadores com décadas de carreira acadêmica, as equipes envolvidas no trabalho de enfrentar o frio e a neve para coletar os dados brutos agregam um bom número de jovens, incluindo recém-formados, pós-graduandos e até estudantes de graduação.   O caminho para chegar à Antártida, em geral, envolve um curso em áreas como Biologia ou Física, mas não necessariamente. A arquiteta recém-formada Priscila Faria Gomes, por exemplo, era uma das que embarcou rumo à base de Ferraz em dezembro, em uma expedição acompanhada pelo Estadão.edu.   Veja mais:  Pesquisa no continente gelado  Acompanhe os relatos da viagem do repórter Carlos Orsi à Antártida   Graduada em 2009 pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ela pisou pela primeira vez no continente para estudar a paisagem no entorno da base. A partir desses dados será criada uma metodologia para avaliar o impacto ambiental causado pela estação e por futuras construções no local. "O objetivo era estabelecer um marco zero de monitoramento de paisagem", explica Priscila, que começou a se interessar pela Antártida quando estagiou em um laboratório da Ufes que cria projetos para a base de Ferraz.   Lugar 'fantástico' Na mesma expedição, estavam biólogos que estudavam peixes, aves e bactérias, além do físico Luciano Marani. Aos 31 anos, ele já havia passado uma temporada na Antártida. Desta vez, sua missão era cuidar da base de medição da camada de ozônio, cujo buraco cresce sobre o continente.   "Desde criança sonhava em visitar a Antártida. Sempre achei o lugar fantástico", conta o físico, que se formou pela Universidade Estadual de Londrina e fez mestrado e doutorado no Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).   Na Antártida, Marani deixava a estação várias vezes ao dia e percorria alguns metros até o módulo do Inpe para monitorar os aparelhos que medem a radiação ultravioleta. Ele também precisava fazer caminhadas mais longas, para acompanhar outros experimentos do Inpe.   A cada saída, era preciso vestir diversas camadas de roupa, já que em dezembro a temperatura fica em torno de zero grau, mas rajadas de ventos fazem a sensação térmica cair para 20 graus negativos. "Física é um curso que requer mesmo muita dedicação", justifica Marani, que esperou 11 anos entre sua graduação e a primeira visita à Antártida.

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