Patrícia Cruz/Estadão
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A solução está no livro

Pesquisa mostra aumento do Ideb em cidades que receberam bibliotecas

Renata Cafardo*, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2018 | 03h00

Em tempos em que a informação está em todo lugar, a um clique de distância, pesquisas mostram a importância dos livros – esses de papel, mesmo – para melhorar a aprendizagem das crianças. Cidades que inauguraram bibliotecas, por exemplo, registraram melhores resultados de seus alunos. E ler livros por prazer ou ouvir dos pais as histórias na infância também fazem o estudante se sair melhor na escola.

A pesquisa inédita sobre bibliotecas analisou o efeito da instalação de 107 delas em 12 Estados, em um projeto do Instituto EcoFuturo. Elas não necessariamente foram colocadas em escolas. 

Mesmo assim, houve um aumento de 7,8% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos alunos de 6.º ao 9.º ano da cidade. A melhora apareceu tanto em Português quanto em Matemática e ainda cresceu a frequência dos pais em reuniões escolares e o incentivo para fazer lição de casa. Crianças de 1.º ao 5.º ano também foram beneficiadas, mas com resultados menos significativos. 

O Ideb é considerado hoje no País como a melhor maneira de expressar a qualidade ou não do ensino em uma cidade, Estado ou escola. Ele é tabulado pelo Ministério da Educação (MEC) e considera o desempenho dos alunos em provas de Português e Matemática, além de taxas de aprovação. 

Fabiana Felício, uma das autoras do estudo, explica que a metodologia usada garante que os resultados são estatisticamente significantes porque foram comparados com outros municípios de características muito parecidas. Ou seja, isso minimiza a possibilidade de outros fatores terem influenciado na melhora da aprendizagem. A pesquisa será apresentada na 25.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na terça-feira. 

O quadro atual do País no que diz respeito à leitura é triste. Os brasileiros leem, em média, menos de três livros inteiros por ano. As avaliações nacionais mostram que só 30% dos adolescentes do 9.º ano, ou seja, de 14 anos, aprenderam o considerado adequado em leitura e interpretação de textos. Entre as crianças do 5.º ano, em média com 11 anos, o índice é de 50%.

Para piorar a situação, só 36% das escolas – incluindo as particulares – têm bibliotecas. Isso, apesar de uma lei federal que obriga todas as instituições de ensino a oferecerem esses espaços de leitura até 2020.

Pesquisas internacionais vão no mesmo caminho. Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram desempenho melhor no Pisa de estudantes que leem diariamente por prazer. Isso é mais importante do que a quantidade de tempo dedicada à leitura de livros. A diferença no resultado desses bons leitores equivale a um ano e meio a mais de escolaridade com relação aos que não gostam de ler.

O Pisa é uma prova feita em cerca de 70 países pela OCDE com jovens de 15 anos nas áreas de Leitura, Matemática e Ciência. Os resultados mundiais mostram que meninas, em geral, leem mais por prazer do que meninos.

E para os pais que se questionam sobre como ajudar seus filhos a se sair bem na escola, outros resultados do Pisa indicam como os livros também são importantes nessa tarefa. Estudantes cujos pais leram para eles um exemplar todos os dias (ou quase todos os dias) quando estavam no 1.º ano do ensino fundamental têm desempenho muito melhor no exame.

Em geral, essa diferença equivale a meio ano a mais de escolaridade em relação aos adolescentes cujos pais nunca ou quase nunca leram. E o mais interessante: o resultado também é muito melhor do que o apresentado por jovens cujos pais deram, na infância, brinquedos com as letras dos alfabeto.

* É REPÓRTER ESPECIAL DO ‘ESTADO’ E FUNDADORA DA ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE EDUCAÇÃO (JEDUCA)

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