FELIPE RAU/ESTADAO
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A palavra é: adaptação

Crianças e adolescentes terão de reaprender a viver e a conviver nos espaços públicos

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2020 | 21h00

Todo início de ano letivo, os pais que levam os filhos pela primeira vez à escola, ou aqueles que transferiram seu filho para uma outra escola, se acostumam com uma palavra que será repetida muitas vezes: adaptação. Primeiramente, o aluno precisa se apropriar do ambiente físico. Depois, muitos pensam que os alunos precisam apenas se adaptar aos professores e aos colegas. Não: todos os trabalhadores da escola precisam ser conhecidos por nome. Nada de “tia da limpeza”. Claro que demorará um tempo, mas isso faz parte do processo de humanização dos relacionamentos interpessoais, que colabora para instaurar o respeito entre todos. Chega, então, o tempo de conhecer os princípios da escola, sua organização e seu funcionamento. Com o desenvolvimento de todas essas aprendizagens, os mais novos começam a entender o que significa ser aluno naquela escola.

Mas por que estou falando de adaptação a esta altura do ano? Porque na abertura das escolas e no retorno dos alunos será necessário um período de adaptação, que poderá se estender por um bom tempo. Adaptação essa que faltou no início dos trabalhos remotos. Sabemos que crianças e adolescentes têm maior facilidade do que adultos para se adaptar a mudanças: para tanto, basta que sejam acolhidos em sua insegurança inicial e acompanhados em seus passos para o necessário encorajamento e tutela, é claro.

Por outro lado, eles também podem oferecer maior resistência sempre que iniciam a mudança. Acordar, deixar de jogar, trocar-se, tomar banho, ir para a escola, por exemplo, são atividades que pedem rituais de transição para facilitar a passagem e vencer as resistências. Depois de tanto tempo em casa, sem ir para a escola, os mais novos vão precisar de um período de adaptação, tanto em casa quanto no colégio. Por isso, famílias e escolas precisam se preparar. E não se engane: mesmo os que estão implorando para a volta às aulas precisarão dessa adaptação. É que o retorno na imaginação deles é uma coisa, e a realidade será bem diferente.

Em casa, volta a valer com maior rigor o cumprimento de horários, e sabemos o quanto isso é difícil para as crianças, por um motivo simples: o tempo, para eles, é o experiencial e não o do relógio, não é verdade? De nada adianta dizer a uma criança, por exemplo: “Você só tem 10 minutos para colocar o uniforme!”. Se o tempo é pequeno, o adulto precisa acompanhar o processo com a criança. Organizar o material escolar, o uniforme ou a vestimenta que usará, acordar em tempo para um café com companhia são exemplos de rituais que ajudam a criança a se despedir de casa, da família, e ficar pronta para sair de lá.

Na escola, crianças e adolescentes precisam de um período de adaptação para fazer a transição do espaço privado da família para o espaço público, passagem essa que é bem complexa para os mais novos. Especificamente neste retorno, os alunos precisarão de especial atenção na adaptação porque nada será como antes, certo? 

Crianças e adolescentes terão de reaprender a viver e a conviver nos espaços públicos: agora há uso de máscara, distanciamento físico, higiene constante das mãos etc. E, pelo que afirmam cientistas e médicos, isso irá durar um bom tempo.

A escola é o lugar certo para eles aprenderem isso. E é bom saber que não se trata apenas de obedecer a regras. Aprenderão o princípio do cuidado com a própria saúde e com a dos outros, o que dá noção de responsabilidade! E todo processo de adaptação escolar precisa de planejamento! Que tal perguntar à escola que seu filho frequenta como se preparou? 

É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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