Janete Longo/AE - 29/1/2010
Janete Longo/AE - 29/1/2010

A nova criação de Civita

Em entrevista, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril fala da parceria com a ESPM, que teve de superar entraves legais a doações

Estadão.edu

30 Novembro 2010 | 02h02

Presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril, Roberto Civita teve de contratar advogados para poder doar dinheiro para o curso da ESPM. Na entrevista abaixo ele fala da pós e desses entraves legais:

 

Como surgiu a ideia do curso em parceria com a ESPM?

 

Estudei em universidades americanas, meus filhos também. Elas não cansam de escrever pedindo dinheiro. Pensei: vou mandar dinheiro para escolas com fundos de endowment (doações) gigantescos, alguns de bilhões de dólares, se aqui não tem virtualmente nada? Ao longo destes anos – estou na Abril há  mais de 50 –, vi o que faltava na formação das pessoas que fazem nossas publicações. Decidi fazer endowment para uma escola que pegasse o pessoal no meio de carreira e o preparasse para dirigir veículos editorialmente, não comercialmente. Fiz a lista das coisas que gostaria de ter no curso e procurei uma  instituição.

 

O senhor sempre pensou numa universidade privada?

 

Não podia ser estadual ou federal, que estão presas aos seus regulamentos. E não queria universidades com fins lucrativos. Defendo a livre iniciativa, mas sou da velha tradição de que as melhores universidades não buscam lucro. Como faço parte do conselho da ESPM, fui lá e disse: “Vocês gostariam de montar uma escola assim? Eu teria enorme prazer em bancar.” Nem sabia como é a legislação. Chamei dois escritórios de advocacia.

 

Foi complicado achar um meio jurídico de criar o curso?

 

No Brasil não tem endowment. Você não pode dar dinheiro para uma universidade dizendo onde gastar. Foram seis meses de trabalho até encontrar uma  fórmula. Montei um instituto, que fez acordo com a escola. Tem outra complicação. No Brasil, você paga imposto para fazer qualquer doação a universidade,  hospital, museu. É tratado, do ponto de vista fiscal, exatamente como uma herança.

 

Quando esse tipo de atitude deveria ser estimulado...

 

Nos Estados Unidos, quanto mais você doar, maior o crédito no Imposto de Renda. No Brasil, é tudo complicado. Deveríamos mudar a legislação.

 

E depois desse trabalho?

 

Visitamos escolas americanas. Mostrei a lista de disciplinas. Um reitor falou: “Levamos dois anos discutindo currículo e, depois de pesquisas, brigas, chegamos à mesma lista!”

 

Nestes 50 anos de experiência, quais lacunas o sr. vê na formação dos jornalistas?

 

Você começa normalmente numa redação como repórter. Aprende fazendo. Num certo momento, alguém te chama e diz que você vai chefiar pessoas. Quem te  preparou para lidar com gente? Ninguém. Quem te ensinou a organizar, planejar? Ninguém. O objetivo do curso não é ensinar Jornalismo, mas o que a pessoa não sabe depois de dez anos e precisa saber para os próximos dez. Garanto a você: quem sobreviver ao curso (risos) está apto a assumir a direção do que for, desde que tenha algum talento.

 

Veja também:

 

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