A hora da decisão

A definição da escola na qual vão matricular o filho é quase um processo de auto-análise

Paulo Saldaña e Lucas Frasão, especial para O Estado,

15 Outubro 2009 | 10h32

É hora de escolher a escola na qual Valentina, de 5 anos, vai estudar em 2010, na 1ª série do ensino fundamental. A família, que mora em Perdizes, zona oeste, está dividida. A mãe, Mirtes Ladeira, atriz, prefere uma instituição tradicional, que sirva de contraponto ao ambiente liberal da casa. O músico André Namur quer ver a filha numa escola alternativa.   Os dois admitem que não impõem muitas regras a Valentina. "Se ela não for para uma escola mais tradicional, ninguém segura", diz Mirtes. "O colégio tradicional é puxado. Não quero que ela tenha uma série de obrigações desde já", contesta André.   O casal vive um momento de dúvida comum na maioria das famílias. Poucas decisões têm o poder de moldar o futuro de um filho quanto a escolha da escola. "Ele deixa de ser só seu, começa a sair para o mundo", diz Neide de Aquino Noffs, coordenadora do curso de Psicopedagogia da Pontifícia Universidade Católica (PUC).   Uma boa notícia para os pais de Valentina é que eles acertaram no pontapé inicial desse processo. "Os pais precisam explicitar seus valores antes de fazer a escolha adequada", afirma Ocimar Alavarse, pedagogo da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Ele diz que não existe "a escola perfeita": o que é bom para uma criança pode não ser para outra. "O pai define primeiro sua condição ideológica e financeira, depois vai conhecer as escolas."   A reportagem do Estado ouviu especialistas sobre os perfis básicos dos pais e as escolas mais adequadas a cada um deles. Chegou a três tipos básicos: tradicionais, liberais e religiosos, que valorizam a formação espiritual. A eles foi adicionado um perfil em alta, o dos globalizados, adeptos do ensino bilíngue. Mas as famílias, claro, são muito mais complexas do que essa classificação. As escolas também.   "As escolas assumem uma tendência, mas nenhuma é só uma coisa", pondera a educadora Silvia Colello, da Faculdade de Educação da USP. Instituições de todos os perfis querem, de algum modo, transmitir aos alunos valores e conhecimentos úteis para a vida pessoal e profissional.   Para a ex-secretária estadual da Educação Maria Lucia Vasconcelos, professora do Mackenzie, as famílias não têm como impor seus valores à escola, daí a necessidade de escolher uma adequada ao seu perfil. No embate entre os pais de Valentina, Maria Lucia dá razão a André. "A criança pequena precisa de continuidade. A escola não pode ser muito diferente da casa."   André e Mirtes vão visitar vários colégios da região de Perdizes nos próximos dias. Depois, querem voltar com Valentina, para que ela dê sua opinião. A menina só ficou sabendo da polêmica familiar por causa da reportagem. "Ela chorou, não quer de jeito nenhum sair da escolinha de educação infantil", diz a mãe.

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