FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

A hora certa para cada tipo de curso

Para fazer MBA, é preciso ter experiência em gestão. Instituições de ensino costumam exigir como pré-requisito um mínimo de três anos

Luciana Alvarez, ESPECIAL PARA O ESTADO

31 Janeiro 2017 | 03h00

Assim que terminou a graduação em Processamento de Dados, Lilian Correa se inscreveu para fazer um MBA. “Eu já trabalhava, era analista contratada em uma grande empresa de TI (Tecnologia da Informação), mas tinha intenção de sair da área estritamente técnica para fazer gestão de projetos.” O coordenador do curso, contudo, explicou que um MBA não era o indicado para ela, ao menos não naquele momento da carreira.

Para fazer um MBA, é necessário já ter experiência de gestão - em geral, as instituições de ensino pedem como pré-requisito um mínimo de três anos na função. “Acabei optando por uma especialização focada em Arquitetura de Sistemas. Foi um curso bem útil porque pude aplicar o que aprendi diretamente no que estava trabalhando.” 

Embora todos queiram crescer na carreira, nem sempre um MBA é o curso ideal, caso de Lilian. “Em uma boa instituição, um recém-formado não faz MBA. A experiência é essencial. O aluno tem de ser um coordenador, supervisor, gerente, diretor”, afirma Alessandra Costenaro Maciel, diretora da Associação Nacional de MBAs (Anamba) e coordenadora de pós-graduação IMED Business School, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

“Essa seleção é importante para criar um ambiente em que os alunos aprendam também entre eles, com a troca de experiências. Se a turma não for nivelada, o aprendizado fica comprometido.”

Para quem ainda está no início da vida profissional e pretende seguir no mundo corporativo, o recomendado é se especializar em algo com o que esteja trabalhando, para que seja útil imediatamente e faça a pessoa se destacar na função. As pós-graduações stricto sensu - mestrado e doutorado - são os caminhos recomendados a qualquer momento, sobretudo para quem tem interesse no mundo acadêmico, explica Alessandra. 

Às vezes, a necessidade de fazer um MBA se dá até por caminhos diferentes do trajeto previsto inicialmente. Lilian chegou a comandar alguns projetos na empresa, mas, antes de assumir um cargo gerencial, decidiu mudar completamente o rumo de sua carreira.

Novo caminho. Lilian voltou para sua cidade natal, Santos, para seguir um sonho: abrir um restaurante de alta gastronomia. Passou, então, a enfrentar desafios bem diferentes do que havia experimentado, que variam de liderar a equipe e estabelecer um bom relacionamento com clientes, até elaborar relatórios financeiros e gerenciais. Foi como proprietária do Elo Gastronomia que sentiu que, dessa vez, tinha mesmo chegado o momento de cursar um MBA. “Nunca tinha estudado contabilidade, e agora estou aprendendo muito. Também tem me ajudado com a gestão de pessoas”, afirma a empresária, que chefia hoje 12 funcionários.

Outra característica do MBA é ele não ter um foco fechado, algo oposto a uma especialização. Para ajudar quem está em postos de comando, o curso deve apresentar uma visão ampla de administração do negócio e do mercado. 

Para a empresária, fazer o MBA está sendo diferente em relação à primeira pós-graduação também pela exigência. “O MBA é mais puxado. E, como essa não é a minha área de formação, tem muito conteúdo com o qual nunca havia tido contato antes.” 

Cursos de MBA aceitam pessoas com graduação diversas. O que importa é mesmo a prática profissional. Mas o curso em si tem de ser quase completamente voltado à Administração. “Para ser considerado um MBA credenciado pela Anamba, o curso tem de oferecer no mínimo 360 horas de aulas. Dessas, tem uma carga horária de 240 horas de disciplinas básicas, de conhecimentos gerais de Gestão, como Estratégia, Marketing, Economia, Teoria da Decisão”, cita Alessandra. 

Abordagem pedagógica. Mas até para os formados em Administração costuma ser um aprofundamento de matérias da graduação, e não uma repetição. Graduado em Administração, tendo passado por várias formações dentro das empresas onde trabalhou, Rodrigo Navarro Marti já desistiu de uma especialização por considerá-la básica demais. “Faz uns 15 anos comecei uma pós, mas parecia ser só um resumo da minha graduação. Não tinha nem aprofundamento, nem conceitos novos.” O MBA, contudo, ele está adorando. “É muito mais intenso.”

Marti decidiu fazer o MBA por influência de uma colega de trabalho. “Ela me apresentou a um professor da FIA (Fundação Instituto de Administração) e fiquei muito bem impressionado com a forma como estruturaram o curso.”

De acordo com Marti, uma das vantagens da modalidade é a proximidade com o mundo dos negócios reais, com muito estudos de casos e professores com ampla experiência. Também elogia a integração entre as disciplinas e entre a teoria e a aplicação prática. “Fiz um curso de Ciências Contábeis via EAD, assim tive a matéria de forma bem sintética. Mas os conceitos já foram usados em outras disciplinas.”

Mesmo com uma boa base, Marti, que é diretor do SBT na área de Novos Negócios, diz que é preciso estar disposto a estudar muito. “Temos de nos preparar antes das aulas porque não haveria tempo suficiente para ver tudo em classe. Mas, no encontro presencial, a discussão é bastante rica.” Além de cumprir as disciplinas obrigatórias do curso, o executivo já está envolvido com um projeto junto a um grupo de professores. 

De acordo com a diretora da Anamba, é cada vez mais comum os executivos não encerrarem sua formação com um MBA, seguindo, por exemplo, para um mestrado. Outras opções são os cursos chamados de pós-MBA ou de “alta direção”, assim como aproveitar os créditos básicos e cursar programas diferentes de MBAs, como MBA em Finanças, Marketing e Recursos Humanos, entre outros campos. “Tem até quem faça uma tripla certificação. Em geral, as instituições permitem o aproveitamento das disciplinas em um prazo de três a cinco anos”, diz Alessandra.

DIFERENÇAS ENTRE AS MODALIDADES

Especialização

Carga horária mínima: 360 horas de aula

Público-alvo: Profissionais em qualquer fase da carreira que desejam se aprofundar em questões específicas; muito indicado no início de carreira

Corpo docente: 50% de mestres ou doutores

Instituição que oferece: Qualquer instituição de ensino credenciada pela Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC)

Trabalho: Monografia ou TCC

Conclusão: Certificado

MBA

Carga horária mínima: 360 horas, sendo 240 de disciplinas básicas de administração

Público-alvo: Profissionais com experiência mínima de três anos em cargos de gestão, que desejam visão ampla do negócio e mercado

Corpo docente: 100% de pós-graduados, 50% de mestres ou doutores, 50% com experiência profissional relevante 

Instituição que oferece: Instituições de ensino na área de Administração credenciadas pela Sesu/MEC

Trabalho: Monografia ou TCC

Conclusão: Certificado

Mestrado profissional

Carga horária mínima: 360 horas de aula mais pesquisa

Público-alvo: Quem deseja pesquisar, mas com o foco no mercado de trabalho

Corpo docente: 75% dos professores são doutores

Instituição que oferece: Instituições de ensino credenciadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC)

Trabalho: Dissertação, revisão de literatura, projetos técnicos ou produtos

Conclusão: Diploma e grau de mestre

Mestrado acadêmico e doutorado 

Carga horária mínima: 360 horas de aula mais pesquisa

Público-alvo: Quem deseja pesquisar e tem a intenção de seguir carreira acadêmica

Corpo docente: Todos os professores são doutores

Instituição que oferece: Instituições de ensino credenciadas pela Capes/MEC

Trabalho: Dissertação (no caso do mestrado) e tese (para quem faz doutorado)

Conclusão: Diploma e grau de mestre ou doutor

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.