‘A escolha é de quem pode escolher’, afirma a nova reitora da PUC-SP

Terceira colocada na eleição e nomeada por d. Odilo Scherer, Anna Cintra defende a adoção do Enem como vestibular

Ocimara Balmant, de O Estado de S. Paulo,

14 Novembro 2012 | 02h46

Entre os planos de Anna Cintra está a reforma do câmpus de Perdizes. Foto: Paulo Liebert/Estadão

 

Com 73 anos de idade e 46 de docência na PUC-SP, a professora Anna Maria Marques Cintra, do programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa e ex-vice-reitora acadêmica, foi nomeada na segunda-feira, 12, reitora da instituição. A nomeação ocorreu após uma eleição conturbada e apertada, em que parte das cédulas foi excluída e depois recontada. Na soma de votos de alunos, professores e servidores, Anna foi a terceira colocada. Ficou atrás do atual reitor, Dirceu de Mello, e da chapa encabeçada pelo professor Francisco Serralvo.

 

A lista tríplice foi encaminhada ao cardeal d. Odilo Scherer, grão-chanceler da PUC e quem decide o nome do novo reitor. Católica praticante, Anna Maria foi a escolhida e assume no dia 29. Em seus planos está a reforma do câmpus de Perdizes, na zona oeste da capital, e o uso do Enem como vestibular.

 

Assumir tendo sido a terceira colocada na votação interna não pode causar um mal-estar com o Conselho Universitário?

 

Pode haver algum tipo de dificuldade, mas vamos trabalhar e acredito que a universidade vai acabar assumindo que a escolha é de quem pode escolher, que é o dono da casa, que é o chanceler, que tem o direito estatutário de escolha. Respeito o Conselho Universitário e sei que qualquer um dos três da lista tríplice quer o bem da universidade.

 

A senhora assume em um momento em que a instituição sofre com a diminuição do número de alunos. Como reverter isso?

 

Precisamos focar em nosso diferencial, que é a excelência acadêmica, e ter cursos com nota máxima no Enade (prova do MEC que avalia os cursos de graduação). Apesar de a maioria de nossos cursos ser bem pontuada, houve um ou outro com problemas e precisamos melhorá-los.

 

Qual será sua prioridade?

 

Ainda não tive acesso aos dados. Então, neste momento, diria que precisamos estudar a possibilidade de uma requalificação do espaço físico, principalmente no câmpus Monte Alegre, em Perdizes, e investir em melhorias técnicas, com equipamentos mais modernos.

 

E há a dificuldade financeira...

 

Essa é uma questão velha e acho que, como reitora, tenho de trabalhar em projetos de captação de recursos com pessoas competentes para essa função.

 

A senhora diz que os problemas de gestão e administrativos se tornaram mais sistêmicos nos últimos anos. Como resolvê-lo?

 

Um dos problemas é a falta de agilidade. Não dá para ficar com um currículo circulando pela universidade por dois anos. A universidade precisa superar essas dificuldades de tramitação que faz com que até se percam oportunidades.

 

Uma de suas propostas é a revitalização da vida estudantil. Mas, no ano passado, o reitor suspendeu as atividades acadêmicas por um dia para evitar a realização de um festival da maconha.

 

Isso tem de ser discutido do ponto de vista da legislação e da função do espaço da universidade. Se puder, faz. Se não, não faz. Mas é preciso habilidade para resolver na conversa.

 

No início do ano, um bispo de Guarulhos defendeu que docentes com ideias contrárias às da Igreja Católica não devem lecionar na PUC. Qual sua opinião?

 

A universidade é lugar de produção de conhecimento e, como tal, pode discutir qualquer assunto. Como católica, acho que a própria Igreja pode entrar no diálogo, com as suas posições.

 

O professor deve ser livre para dizer que é favorável ao aborto?

 

Sim. Só não pode incitar, obrigar o aluno a aceitar suas ideias.

 

E o Enem? A PUC deve usá-lo como critério único de seleção?

 

Há uma discussão interna para uso em algumas áreas e eu apoio. Se o exame se consolidar, tenho a sensação de que a tendência é essa. Não vejo problemas.

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