Flávia Novais
Flávia Novais

‘A educação do futuro será a distância’

'Cursos engessados, em que o professor só joga apostila em PDF na internet, não vão longe'

Entrevista com

Leandro Morilhas, coordenador da FIA

Luciana Alvarez, Especial para O Estado

27 Junho 2017 | 03h00

Hoje a Fundação Instituto de Administração (FIA) oferece 25 programas de MBA, todos presenciais. Mas, de acordo com Leandro Morilhas, coordenador de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da FIA, a instituição entrou com o processo de credenciamento no Ministério da Educação (MEC) e, se tudo seguir dentro do prazo esperado, lançará seu primeiro MBA a distância no início de 2018. Haverá ainda outras opções de pós-graduação em EAD. 

Por que a FIA decidiu entrar no segmento de MBAs em EAD agora?

Há motivos internos e externos à instituição. Internamente, temos tradição na formação executiva, começamos em 1993 com um programa de MBA e fomos ampliando o leque. Oferecer MBAs em EAD faz parte de uma expansão constante do portfólio de produtos. Já temos mais de 70 cursos a distância, em geral livres, mais curtos, além de algumas disciplinas da graduação. Agora estamos prontos para a entrada de cursos mais extensos em EAD, caso dos MBAs.

E quais são os motivos externos?

Analisando o mercado, enxergamos boas oportunidades. Há problemas no deslocamento nos grandes centros urbanos. Há também pessoas em outras partes do Brasil, fora das metrópoles, com interesse nesse tipo de formação. Além disso, é cada vez maior o número de profissionais buscando qualificação. A princípio vamos atuar no Estado de São Paulo, mas pretendemos ir a outras regiões. 

Qual a principal diferença entre oferecer um curso presencial ou em EAD?

O que oferecemos é ensino de qualidade. Esse é o fim. Ser presencial ou EAD é um meio. Posso também ter pós-graduação blended (misturada), com partes presenciais e outras online. O que muda é uma maior preocupação com aspectos tecnológicos, pensar em metodologias específicas e ter um bom suporte de tutores. 

O EAD vem crescendo de forma acelerada há mais de uma década. Ainda existe espaço para expansão?

Sim. Nosso modelo educacional clássico, centrado na figura do professor, teve origem na Idade Média. Está havendo uma mudança, com o processo mais centrado no aluno, algo que o EAD proporciona. Apostamos que a educação do futuro vai ser a distância. Hoje o estudante já pode ter a sala de aula na palma da mão. Mas vejo um crescimento com a tendência de oferecer conteúdos práticos, com foco em como fazer. Cursos engessados, em que o professor só joga apostila em PDF na internet, não vão longe. O modelo que vai crescer é um mais dinâmico, que leve o aluno a campo, que mostre como aplicar na prática as teorias.”

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