A distância

.

Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 03h00

Nesta modalidade, o protagonismo é totalmente do aluno. O MBA a distância (EAD) exige disciplina e dedicação, já que a obrigação do estudo não tem hora marcada. Enquanto algumas instituições oferecem aulas em horários específicos, outras mantêm o conteúdo gravado pelos professores para que o estudante assista quando puder.

“Em termos de conteúdo, um MBA online faz sentido. Às vezes mesmo o presencial na sua própria cidade é corrido”, explica a coach Paula Braga. Foi o que aconteceu com Camélia Rossi, aluna do MBA em Marketing de Negócios na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ela optou pela modalidade EAD porque queria estudar em uma instituição de renome, mas não conseguiria encaixar aulas presenciais. “Por conta da minha carga horária seria difícil me deslocar, mesmo em cursos só às quintas e sextas-feiras. Mais de uma vez, já assisti aulas no aeroporto, esperando voo.”

O online, no entanto, não é indicado para todos. “A orientação para escolher um curso a distância vai além da possibilidade de se deslocar até o lugar das aulas. É uma questão de perfil. O aluno precisa ter uma disciplina muito grande porque é gestor de seu próprio estudo”, explica Tatsuo Iwata, pró-reitor de Pós-Graduação Lato Sensu, Extensão e Educação Executiva da ESPM.

Além disso, a coach Paula alerta que é importante ficar atento em como fazer contatos. “O que se perde, muitas vezes, é a questão da troca. Tanto de ser uma discussão menos natural, quanto fazer trabalhos em grupo a distância. Você perde no networking.”

As instituições, no entanto, ponderam que as plataformas de estudo online possibilitam discussões em tempo real ou a qualquer momento. Quem oferece cursos a distância defende que isso pode até ser um fator positivo, já que as conversas não ficam restritas ao tempo presencial de aula.

A diversidade de alunos também costuma ser maior, já que não há limitação geográfica. “Os projetos em grupo, por exemplo, são desenvolvidos por pessoas que estão em pontos diferentes do País”, explica Iwata, da ESPM.

Mary Kimiko Guimarães Murashima, diretora de soluções online da Fundação Getulio Vargas (FGV), concorda. “Justamente por ser online, favorece o desenvolvimento de competências fundamentais para o mercado de trabalho. Resiliência, pensamento crítico, liderança e trabalho em equipe são favorecidos, pois podemos formar equipes independente da área ou localidade.”

Segundo Mary, a metodologia do EAD na FGV é um fator importante na formação dessas competências. A fundação não oferece um curso convencional, só com aulas, debates e avaliações. A plataforma online foi customizada e transformada no jogo Alternate Reality Goals - ARGo, ou metas de realidade alternativa, em uma tradução livre.

Nele, os alunos trabalham em uma empresa fictícia, que tem até elementos pelas redes sociais. Há uma competição entre grupos para criar um plano e soluções para que a multinacional entre no Brasil. Durante o jogo, a empresa encontra problemas e desafios. “Não trabalhamos apenas as competências técnicas, mas também a interação, uma ‘liga’ entre os participantes”, afirma Mary. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.