A difícil tarefa de escolher uma faculdade

Vida de vestibulando é uma decisão atrás da outra: tem de escolher a carreira, resolver se é melhor fazer cursinho com colégio ou não, optar se presta faculdade fora da cidade. Agora, quem foi aprovado em mais de uma instituição deve decidir qual é a melhor para se matricular. Mesmo com poucos dias para decidir, especialistas aconselham a checar todos os detalhes: desde os registros legais da instituição até as impressões subjetivas causadas pelo ambiente de cada faculdade. Juliana Souza, de 18 anos, está enfrentando o dilema. Ela passou em arquitetura na Faap e no Mackenzie e se matriculou nas duas. "Não tenho idéia de qual fazer. Estou esperando o resultado da Fuvest mas, se não entrar, vou ter de me decidir." Para isso, ela pretende conversar com os veteranos. "Assim, vou saber um pouco como cada faculdade é." O critério da futura jornalista Fernanda Aranda, de 18 anos, foi mais prático: ela decidiu pela mensalidade. "Passei na Faap e na Metodista, mas a Metodista é mais barata e fiz a matrícula nela. Vou estudar lá." Ela reclama, porém, de não ter tempo para escolher com calma. "A gente nem pode pensar direito porque é tudo na hora. Ainda bem que a fase de vestibulando está no fim. Foi o pior ano da minha vida." Fernanda conta que teve dúvida na hora de escolher a carreira. "Fiquei entre jornalismo, rádio e TV, relações públicas e direito." Outra decisão que teve de tomar foi quanto a fazer vestibular fora de São Paulo. "Até me inscrevi na Unesp, mas como a faculdade é fora, acabei nem fazendo o exame." Débora Assalve, de 18 anos, passou em direito na PUC e no Mackenzie e se matriculou na PUC porque foi onde saiu o resultado antes. "As duas são excelentes, mas como já tinha feito uma matrícula não ia gastar mais dinheiro." Os educadores garantem que é importante levar em conta itens como o valor das mensalidades e a localização da instituição na hora de fazer a escolha, mas lembram que o fundamental é sentir-se bem na futura faculdade. "É lá que o estudante passará grande parte dos próximos anos e acho que ele precisa visitar todas as instituições onde tiver interesse, respirar o ar e ver com qual se identifica mais", diz a coordenadora do Enem, Maria Inês Fini. Para ela, a qualidade da vida universitária deve ter um peso grande na decisão. "Não adianta entrar em uma instituição com um curso teoricamente excelente e não gostar de nada. O que é para ser uma fase boa da vida acaba se tornando um pesadelo." Dono da Lobo & Associados, uma consultoria de ensino superior, Roberto Leal Lobo, que foi reitor da USP, também dá suas dicas. "Olhar o desempenho dos cursos nos três últimos Provões e a análise que o MEC faz das condições de oferta da instituições já é um bom começo", afirma. "Também é preciso checar se o curso é reconhecido." As informações estão no www.inep.gov.br. Lobo sugere, ainda, que os jovens procurem os cursos com maior relação candidato/vaga. "Provavelmente eles terão os melhores alunos e as turmas serão homogêneas", diz. "É uma garantia a mais."

Agencia Estado,

27 de janeiro de 2003 | 14h27

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