'A carreira beneficia as pessoas e a universidade', diz Rodas

Em entrevista ao Estado, o reitor da USP, João Grandino Rodas, afirma que plano de carreira aprovado tornará emprego na universidade mais competitivo em relação ao mercado

Mariana Mandelli e Felipe Mortara, Estadão.edu

11 Maio 2011 | 11h27

A Universidade de São Paulo (USP) aprovou ontem uma nova carreira para seus funcionários técnicos e administrativos – ou seja, não inclui os docentes. A proposta inclui: aumento do piso e do teto salarial; maior mobilidade na carreira; facilidade para o indivíduo preparar sua ascensão; e a descentralização administrativa, já que são as unidades que devem preparar a progressão profissional de seus servidores.

Após a aprovação do novo modelo de carreira, em reunião do Conselho Universitário (C.O.), o reitor João Grandino Rodas conversou com o Estado.

 

A implantação das medidas é imediata?

Sim. Não tem seis meses que estamos discutindo a carreira em uma comissão específica e ela já foi aprovada.

 

Qual o objetivo do plano?

É criar uma carreira duradoura e que faça com que os funcionários que entrem nela se sintam estimulados a ficar e a subir na carreira. A carreira da USP deve ser minimamente competitiva em relação às demais. Antes, não havia carreira, atratividade. A única coisa que acontecia era a correção anual de salário. Era o único meio de ascender. Agora, o próprio funcionário pode pedir para mudar de estágio. Fica nas mãos dele subir na carreira. Ele sabe aonde quer chegar. Os funcionários que fizerem cursos de qualificação diminuirão o tempo para atingir um maior salário. A aprovação dessa proposta, nesses moldes, beneficia as pessoas e, principalmente, a própria universidade.

 

A aprovação da carreira pode apaziguar os conflitos na universidade, como greves e paralisações?

Prefiro não fazer nenhum prognóstico. Vamos esperar o índice de reajuste anual e nos próximos 180 dias fazer a progressão após o enquadramento inicial dos servidores na nova carreira. No entanto, penso que a USP, nos últimos dias, tomou duas decisões que considero históricas: a aprovação desta carreira e os gatilhos (leia mais aqui). São medidas que tinham sido prometidas pela gestão. A carreira, por exemplo, não foi feita para isso, para evitar greves. Era algo que tinha sido discutido como prioritário pela gestão. É uma questão de conjunto. A administração está cumprindo sua função e está tendo um retorno positivo. Genericamente falando, tem havido uma colaboração positiva das comunidades. É um trabalho conjunto que mostra a aprovação massiva daquilo que chega ao C.O. Os conselhos estão trabalhando ativamente e o que notamos é que tem havido consensos parciais, o que é bom para o debate na universidade – o consenso completo não existe.

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