86% das escolas particulares de SP não tiveram alunos infectados, aponta levantamento

86% das escolas particulares de SP não tiveram alunos infectados, aponta levantamento

Pesquisa com 591 unidades foi feita por associação de colégios particulares e o sindicato que representa as instituições

Renata Cafardo e Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2020 | 13h29
Atualizado 26 de novembro de 2020 | 23h54

Um levantamento com 591 escolas particulares que reabriram no Estado de São Paulo apontou que 86% não identificaram nenhum caso de covid-19 entre os alunos. Já entre os professores, o porcentual de colégios que não relataram infecções foi de 73%. A pesquisa, realizada pela Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar) com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado (Sieeesp), inclui colégios como o Santa Cruz, Bandeirantes e unidades da rede COC, espalhadas pelo Estado.

As escolas do Estado de São Paulo foram fechadas em março para conter a disseminação do coronavírus. Em setembro, o governo estadual autorizou a primeira reabertura parcial, que ocorreu apenas em alguns municípios do interior. Na capital paulista, a retomada começou a partir de outubro, mas este mês, diante do aumento de internações na cidade, o prefeito Bruno Covas (PSDB) recuou sobre a possibilidade de dar aval para aulas em outras etapas de ensino. Por enquanto, só estão permitidas aulas regulares no ensino médio. 

Entre as escolas avaliadas, a maior parte (44%) respondeu que não foi autorizada pelo município a reabrir e 33% retomaram as atividades em outubro, mês em que Covas autorizou a reabertura das escolas para atividades extracurriculares. Nos colégios que abriram, a maioria (62%) autorizou a ida de estudantes cinco vezes por semana.

Apesar da frequência diária, só 7% relatam a identificação de um caso de contaminação pelo coronavírus. Outros 7% relataram dois ou mais alunos infectados. Os porcentuais mudam quando se referem aos professores e funcionários. Nesse caso, 16% das escolas notificaram pelo menos um caso e 11% identificaram duas ou mais infecções.

Os colégios avaliam que conseguiram conter a contaminação, mesmo onde houve registro de infecção. Segundo a pesquisa, 99% indicaram que não houve contaminação para outra pessoa da classe e 45% informaram que ocorreram infecções na casa do aluno ou do funcionário contaminado.

Quatro em cada dez colégios que detectaram casos entre os estudantes suspenderam o aluno infectado por 14 dias; 39% disseram que suspenderam toda a classe e a minoria (16%) disse que suspendeu todas as atividades presenciais. Escolas que contrataram consultoria de especialistas foram orientadas a adotar o esquema de "bolhas" de estudantes e evitar contatos entre um grupo de alunos e outro para facilitar o rastreamento de contatos em caso de infecção. 

"É importante notar que além de serem poucos os casos eles ficaram controlados, não se espalharam pelas escolas", diz o presidente da Abepar, Arthur Fonseca Filho. A entidade tem 24 escolas de elite, que incluem Bandeirantes, Santa Cruz, Pentágono e Oswald de Andrade.

A Secretaria Estadual da Educação recebeu a pesquisa e estuda como ela pode ser considerada na abertura. O secretário estadual da Educação Rossieli Soares teve uma reunião com os representantes das escolas. Na semana passsada, ele afirmou que é preciso avaliar com cautela casos de contaminação nos colégios para evitar atribuir "culpa que não é da escola". Segundo ele, há relatos de festas entre os estudantes, fora do ambiente escolar, que contribuem com a contaminação.

Na semana passada, o Estadão ouviu 14 escolas particulares da capital e a maioria delas teve no máximo dois casos de covid entre os alunos ou entre os professores desde que foram abertas, há pouco mais de um mês. Cidades como Campinas e as do ABC paulista não autorizaram nenhum tipo de abertura este ano.

"Sabemos que não é possível voltar integralmente, com todos os alunos, mas é um absurdo o que estão fazendo com as nossas crianças ao não permitir que as escolas sejam abertas", diz o presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva. Segundo ele, as instituições, para atuar com segurança, poderiam receber no máximo 50% dos estudantes. Hoje, na capital, apenas 20% dos alunos podem frequentar a escola por dia.

Entre as escolas ouvidas pela pesquisa do sindicato, 43% indicaram que pretendem atuar com aulas presenciais no ano de 2021 e 32% apontaram a preferência pelo ensino híbrido. 

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