84% dos alunos dizem que há violência nas escolas

Uma pesquisa ainda inédita feita pela pesquisadora Miriam Abramovay revela que quase 84% dos alunos afirmam existir violência dentro da escola. Cerca de 37% dos estudantes já foram vítimas de furtos e 4,7% já apanharam na escola. Os dados da pesquisa, que será publicada pela Unesco, foram apresentados nesta quarta-feira na abertura do Congresso Ibero-Americano sobre Violências nas Escolas. O evento, que prossegue nesta quinta, tem o objetivo de apresentar resultados de pesquisas e incentivar a troca de experiências para a elaboração de políticas públicas para o enfrentamento da violência escolar.A pesquisadora Miriam Abramovay, professora da Universidade Católica de Brasília e vice-coordenadora do Observatório sobre Violência nas Escolas no Brasil, revelou ainda que 21,7% dos entrevistados dizem já ter visto canivetes no ambiente escolar e 12,1%, revólveres.A percepção de violência entre os alunos é alta, mesmo entre aqueles que consideram a escola "boa-ótima". A proporção de alunos que dizem que existe violência na escola varia de 90,7% (alunos que consideram a escola "péssima-ruim") a 78,3%(alunos queco nsideram a escola "boa-ótima").O estudo foi realizado no Distrito Federal e em cinco capitais do país (Belém, Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo), em 143 escolas da rede pública de ensino - estadual e municipal - com mais de 12 mil estudantes.Qualidade da educação passa pelo combate à violênciaO representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) no Brasil, Jorge Werthein, afirmou que para elevar a qualidade da educação é preciso enfrentar o problema da violência nas escolas. "Algumas crianças são como papel carbono, você faz um risco e isso fica marcado para o resto da vida. Além das agressões físicas, que são mais visíveis, existem os traumas emocionais e psicológicos", disse.Segundo Werthein, uma das medidas que pode contribuir para a melhora do ambiente escolar é o projeto que está começando a ser implantado no país de se abrir as escolas à comunidade nos finais de semana.Ao fim do congresso, os participantes divulgarão Carta-Manifesto pedindo aos governos e à sociedade civil mais atenção ao tema.

Agencia Estado,

29 de abril de 2004 | 02h43

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