Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

72 escolas particulares devem parar nesta terça-feira

Professores fazem segundo dia de mobilização contra mudanças na convenção coletiva, com redução de benefícios; impasse continua

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2018 | 06h08

O segundo dia de paralisação dos professores da rede particular de ensino deve afetar nesta terça-feira, 29, as aulas de ao menos 72 escolas em São Paulo, segundo levantamento do sindicato da categoria, o Sinpro. Os docentes estão mobilizados para impedir a redução do recesso escolar e do número de bolsas de estudos por filhos, entre outros pontos. 

O número de escolas que devem ser afetadas nesta terça é o dobro da quarta-feira, quando houve a primeira paralisação. Segundo Luiz Barbargli, presidente do Sinpro, o apoio de pais e alunos às reivindicações deu força para que mais professores se mobilizassem nas unidades. “Quem estava mais preocupado saiu para o enfrentamento ao ver que tem apoio. Os pais não concordam com a retirada desses direitos até porque os custos deles já estão incluídos na mensalidade”, diz. 

A categoria decidiu parar após mais de dois meses de impasse para aprovar a convenção coletiva. O sindicato patronal, Sieeesp, propôs as alterações dos benefícios alegando dificuldades financeira, especialmente em escolas menores. A entidade também ressalta que concedeu um reajuste salarial de 3%, que estaria acima da inflação, para compensar as mudanças. 

A arquiteta Fernanda Morais, de 39 anos, apoia o segundo dia de paralisação dos professores do Colégio Santa Cruz, em Pinheiros, onde estuda sua filha Valentina, de 15 anos. Na quarta-feira, a escola parou totalmente as atividades, mas nesta terça elas só estão suspensas no período da tarde. “A greve sempre afeta negativamente alguém, mas é a forma que eles têm para lutar pelos seus direitos. É a forma que surte efeito, reduzir esses direitos é um retrocesso.”

No domingo, um grupo de 200 pais e mães de alunos de 24 escolas da capital publicou uma carta aberta onde manifestam apoio à reivindicação e à paralisação dos professores. “O ponto que nos une é o apoio à educação de qualidade e o respeito pelo professorado. Esse respeito passa pela manutenção dos direitos já firmados em acordo coletivo há anos. Como pais e mães, estudamos o assunto e concluímos que não há motivos claros ou justificáveis para que o acordo (convenção coletiva) seja interrompido bruscamente”, diz a carta. 

Alterações. O sindicato patronal propôs a redução da bolsa de estudos de dois para um filho de professor e limitada àqueles que têm carga horária semanal de ao menos 10 horas; redução do recesso escolar do fim de ano de 30 para 20 dias e aumento do tempo de contratação de 22 para 60 meses para o direito à semestralidade (pagamento dos salários restantes em caso de demissão sem justa causa antes do fim do semestre letivo). 

Sem um acordo, o entrave foi levado ao Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), que deve julgar o dissídio da categoria. O Sieesp apresentou uma nova proposta com a redução do recesso para 23 dias, restrição das bolas somente nas unidades com até 200 alunos e a extensão do prazo da garantia de semestralidade para 36 meses. A proposta não foi aceita pela categoria. 

Nesta terça-feira, os professores realizam uma série de aulas públicas pela manhã. Colégios como Equipe, Viver, Santi, Arraial das Cores e Vera Cruz convidaram os pais e os alunos para a atividade. À tarde, eles fazem uma assembleia para definir as próximas ações. 

ENTENDA O CASO

Reivindicação

Professores querem a renovação da convenção coletiva que garante, entre outros direitos, 30 dias de recesso escolar no fim do ano, bolsa de estudos para dois filhos e o pagamento da semestralidade em caso de demissão sem justa causa.

Proposta

O sindicato patronal diz que a convenção anterior é antiga e está inadequada à situação atual das escolas, especialmente EM unidades menores e com mensalidades mais baratas.

Impasse

A questão está em debate desde março, quando a convenção venceu. Com as negociações travadas, o caso foi levado ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que realizou duas audiências de conciliação, sem acordo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.