45% dos municípios não atingirão meta do governo

O Ministério da Educação quer que, até o final de 2021, a média de estudantes de 1ª a 4ª séries de toda a rede de ensino público brasileiro, atualmente em 3,8, seja de 6, numa escala que vai até 10. Um índice que equivale a países medianos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Foi exatamente entre os 30 países da organização que o Brasil ficou em último lugar, em 2003, na aprendizagem de matemática. ?Esta nota (6) não é a máxima nesses países. Finlândia, por exemplo, tem média superior a 8?, diz o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes.Quando analisados os municípios individualmente, porém, nem todos atingirão suas metas. Pelas projeções do próprio Inep constata-se que, dos 5.561 municípios brasileiros, 2.515 não alcançarão o objetivo para os alunos de 1ª a 4ª séries. O mesmo ocorre com estudantes da segunda fase, cuja média brasileira desejada é de 5,5, também em 2021. Pelos números do Inep, 1.768 cidades apresentarão, daqui a 15 anos, média inferior ao plano estabelecido. ?Nosso primeiro enfoque é o todo?, observou Fernandes. O prazo para atingir a meta foi estabelecido pelo governo brasileiro devido à comemoração do bicentenário da Independência do Brasil, em 2022. Entre escolas municipais, a pior colocação foi a da cidade de Maiquinique, no interior baiano. Estudantes da segunda fase desta cidade apresentaram média 0,3. Espera-se que, até 2021 alunos recebam média 4,4. A análise de dados de cada município dá uma mostra do quanto é preciso percorrer. Ramilândia, no interior do Paraná, por exemplo, alcançou a média 0,3 do Ideb para alunos de 1ª a 4ª séries. Pelas projeções do Inep, em 2021, se tudo for feito de forma adequada, a cidade terá alcançado 5,4. Pureza, no Rio Grande do Norte, passará dos 2,2 para 4,8. Embora pareça ambiciosa, a história recente do País mostra que é possível conseguir que a média passe dos 3,8 para 6. De 2000 para cá, explica Fernandes, escolas da região Centro-Oeste apresentaram um salto de qualidade num ritmo semelhante ao que agora é esperado para todo o País. Fernandes admite, porém, que o processo poderá ter ajustes, ao longo do tempo. ?É tudo muito novo. Todos nós estamos aprendendo ainda.? Ele rejeita a ?fórmula receita de bolo? para que todos os municípios alcancem notas máximas no índice agora desenvolvido pelo Inep. ?Cada local tem sua peculiaridade, em cada ponto, será preciso encontrar saídas diferenciadas.? A idéia é que o País tenha progressos na área de educação como um todo. ?Mesmo daqueles que estão numa situação mais privilegiada queremos avanços?, completou. O ritmo do crescimento, nestes casos, no entanto, é menor. Fernandes não tem dúvida, porém, que boa parte do trabalho está baseada em dois pontos: capacitação de professores e diretores de escola que tenham poder de liderança. ?Este é um ponto em comum de muitas experiências bem-sucedidas: diretores empenhados, com iniciativa.?Periodicamente, o MEC deverá fazer um acompanhamento sobre o cumprimento dos compromissos traçados entre gestores e o governo federal para a melhoria da educação. Em casos de não-cumprimento do acordo, duas opções são possíveis: se houver má-fé ou inoperância do administrador, suspensão do repasse de recursos. ?Mas pode haver erros durante o percurso, cometidos pelos gestores, pelos consultores. Neste caso, reajustes de metas serão feitos.? O presidente do Inep espera que o controle social desempenhe um papel importante neste caso. ?No dia que um prefeito deixar de ser eleito porque os alunos tiveram desempenho aquém do desejado, estaremos num País melhor.?

Agencia Estado,

26 de abril de 2007 | 14h01

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