Divulgação/ Seduc-Am
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2 a cada 5 escolas no mundo não tinham locais para lavar as mãos antes da pandemia, diz OMS

Entidade aponta instalações para higienizar as mãos como condição essencial para reabertura segura das escolas; especialista diz que retomada deve ser debatida caso a caso

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 21h02

Em meio a discussões sobre a volta ao ensino presencial durante a pandemia de covid-19 em vários países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicaram levantamento nesta quarta-feira, 12, que revela que 43% das instituições de ensino no mundo não tinham estrutura básica para lavagem das mãos com água e sabonete em 2019.

A medida é apontada pela OMS como uma das mais importantes para a prevenção do novo coronavírus. O Brasil segue a tendência mundial, com 39% das escolas sem estrutura adequada, segundo estimativas do mesmo programa de monitoramento publicadas no início do mês. 

Porém, a distribuição é desigual pelo País e a situação é mais crítica em alguns Estados. No Amazonas, por exemplo, só 1 a cada 5 escolas públicas recebem abastecimento de água, de acordo com a Unicef. O acesso é pior do que a média nos países menos desenvolvidos, em que 50% das instituições têm acesso à água e saneamento básico, segundo o novo levantamento da OMS.

“São direitos humanos, independente da pandemia”, declarou Anyoli Sanabria, coordenadora do programa Wash, sobre água, saneamento e higiene, da Unicef. “Instalações para lavagem das mãos todas as escolas já deveriam ter, mas agora fica o imperativo”.

Os dados do programa da OMS convergem com outras estatísticas publicadas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em maio. No estudo, 14% dos alunos brasileiros afirmaram que suas escolas não tinham banheiro em bom estado, indicador que sobe para 34% em escolas rurais. Na América Latina, a média é de 22%.

O BID publicou um guia de recomendações para reabertura das escolas baseado em quatro critérios sanitários: distanciamento social, desinfecção das instalações, garantia de alunos e professores saudáveis em classe e fácil acesso a pias. “O documento é bem prático em recomendar alternativas ainda para aquelas escolas que não têm água encanada, como levar tambores de água”, explicou Morgan Doyle, representante do banco para o Brasil.

Lavatórios e banheiros em funcionamento também fazem parte do protocolo geral publicado em junho pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) para direcionar a volta às aulas presenciais executada pelos Estados. “Se não tem essa estrutura, não tem como reabrir neste momento”, afirmou Cecília Motta, presidente do Consed.

Outras medidas recomendadas pelo conselho são a disponibilidade de álcool em gel, a higienização dos pés e mãos antes da entrada na escola e salas de aula funcionando com metade dos alunos. Ações mais detalhadas e data para o retorno devem ser decididas por comissões multidisciplinares montadas por cada Estado.

Caio Sato, coordenador do Núcleo de Inteligência do Todos Pela Educação, diz que a carência em estrutura para lavagem das mãos é preocupante, mas as secretarias também devem levar em conta outras questões para planejar o retorno.

Alunos que moram com pessoas do grupo de risco e oferta de acolhimento sócio-emocional são algumas delas. “Talvez ainda não seja o melhor momento, por conta dessa lenta adaptação e do ritmo de infecção que estamos vendo no Brasil como um todo”. Nos últimos sete dias, a média móvel de novos óbitos foi de 978, segundo dados do levantamento realizado pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL. No total, são quase 3,2 milhões de casos de covid-19 registrados e quase 104 mil mortes.

Anyoli concorda que a decisão pela reabertura das escolas em tempo de pandemia vai além da educação. Para ela, a situação epidemiológica tem que ser muito bem avaliada pelos Estados e municípios e não há possibilidade de definir uma fórmula única para o País. “O perfil epidemiológico não é da escola, é da comunidade”.

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