FABIO MOTTA/ESTADÃO
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10% das cidades têm alunos com desempenho adequado no 9º ano de Matemática

Em Português, 29,6% dos municípios brasileiros atingiram as metas do Movimento Todos pela Educação nos anos finais do ensino fundamental; levantamento da ONG foi divulgado nesta quinta

Bárbara Ferreira Santos e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 00h00

De cada dez municípios do País, em apenas um os alunos têm desempenho adequado em Matemática no fim do ensino fundamental. É o que mostra estudo do Movimento Todos pela Educação (TPE) divulgado nesta quinta-feira, 12, com dados da Prova Brasil, exame federal de avaliação educacional. A última edição do teste foi em 2013.

As metas de aprendizado para cada município são fixadas pelo próprio movimento de acordo com seus resultados nas provas anteriores. Para o TPE, os níveis mínimos para aprendizado adequado são 225 pontos em Matemática e 200 pontos em Português no 5º ano do fundamental. Já no 9º ano da mesma etapa, os patamares são de 300 pontos em Matemática e 275 pontos em Português.

No 9º ano do fundamental, somente 10,8% dos municípios atingiram a meta do Todos pela Educação em Matemática, contra 28,3% em 2011. Já em Português, a proporção é de 29,6%, ante 55% na Prova Brasil anterior. 

No 5º ano do fundamental, 61,7% das cidades alcançaram a meta em Matemática. Na Prova Brasil anterior, a proporção era de 69,1%. Em Português, no mesmo ano, a redução foi de 49,1% para 48%. Para 2022, uma das metas do TPE é que todo aluno brasileiro tenha conhecimento adequado em relação a seu ano escolar. 

Entre as edições de 2011 para 2013, houve queda na proporção de cidades que atingiram a meta em todos os níveis e nas duas disciplinas. O recuo não significa que o município piorou: pode ter diminuído o padrão de melhora. A curva descendente é mais acentuada nos anos finais do fundamental, como já mostram outras avaliações educacionais. 

Urgências. A coordenadora do Todos pela Educação, Alejandra Velasco, acredita que os dados refletem a falta de políticas específicas para o segundo ciclo do fundamental. "Nos anos iniciais, temos o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que integra materiais e objetivos de aprendizagem", afirma. "O País discute a reformulação do ensino médio, mas não adianta se não melhorarmos no fim do fundamental", diz. 

Outro desafio para melhorar os resultados, de acordo com Alejandra, é definir a Base Nacional Comum, documento que definirá o que deve ser aprendido em cada etapa de ensino. O prazo para o término da construção do currículo comum é o fim de 2016. 

Para Reynaldo Fernandes, especialista em educação e ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), é preciso acelerar a melhora nos municípios. "A crescida está lenta. Precisamos manter o crescimento, ir para a frente", afirma. 

A geração que já teve melhora na primeira metade do fundamental, diz Fernandes, tem de ao menos manter essa melhora no fim do ciclo. O que se tem registrado na Prova Brasil é que as gerações que chegam agora ao 9º ano não apresentam melhora na mesma escala que haviam obtido no 5º ano. "Se chegar sem ganho no 9º ano, vamos perder tudo o que ganhamos nos anos iniciais. Ou seja, vai chegar no fim do ciclo como se não tivesse ganho nenhum na etapa anterior", explica.

Outro lado. Procurado, o Ministério da Educação (MEC) informou que comenta apenas indicadores próprios de avaliação educacional. 

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