10 carreiras do futuro

10 carreiras do futuro

Profissões em evidência nos próximos anos misturam campos de atuação diferentes, como o design e a econofísica, por exemplo

Guilherme Soares Dias, Especial para O Estado

31 Março 2015 | 05h00

As carreiras de destaque nos próximos dez anos misturam campos de atuação que não se conversavam num passado recente, segundo especialistas ouvidos pelo Estado. Os experts apontaram áreas que estão em expansão, têm déficit de profissionais ou ficarão em evidência até 2015. Entre elas, há profissões já existentes, como o design, e outras novas, por exemplo, a econofísica.

Nas carreiras em crescimento, destacam-se as tecnológicas. A demanda será por profissionais para criar produtos e jogos, caso do graduado em Sistemas de Informação, ou para gerir e analisar uma grande quantidade de dados, como o gestor de big data. Até o setor de varejo usará esses profissionais para saber como os clientes se comportam, de acordo com o coordenador do MBA Analytics em Big Data da Faculdade Instituto de Administração (FIA), Adolpho Walter Pimazoni Canton. "É uma pessoa que dá respostas ágeis e está envolvida neste novo momento da tecnologia", afirma. A área já paga altos salários e há poucas pessoas formadas para atuar nela.

ESPECIALIZADOS

As profissões do futuro se ancoram ainda no envelhecimento da população, na maior preocupação com resíduos sólidos, na continuidade do crescimento da indústria naval e no agronegócio. São áreas que vão exigir profissionais cada vez mais capacitados e com conhecimentos específicos.

Independentemente da carreira, a gerente de negócios da Robert Half (empresa de recrutamento mundial), Cláudia Troca, acredita que os profissionais precisarão ter características como comunicação clara, olhar estratégico, preocupação com o negócio, visão integral da empresa, bom relacionamento interpessoal, sede de aprendizado e proatividade. "A visão de dono, quando o funcionário sente que a empresa é sua também, é outro diferencial", diz. A segunda e a terceira língua serão cada vez mais premissas. "É interessante se especializar sem esquecer de prestar atenção no todo."

DESIGN COM FOCO EM INOVAÇÃO

Este profissional poderá intervir em todos os produtos e ideias novas das empresas. "Steve Jobs (empresário fundador da Apple) foi um designer, por exemplo. É a pessoa responsável por dar funcionalidades que os produtos não tinham, como o celular que se torna elemento lúdico, tem poder de marca, status e beleza", defende o pró-reitor Acadêmico da Belas Artes, Sidney Leite. Ele acredita que a economia brasileira terá de avançar a posições mais elevadas da cadeia produtiva e de valor. "Precisará sair da área de commodities e se diversificar rumo à inovação, interagir com o novo mundo da criação. O designer terá papel essencial nisso", aposta. Dessa forma, o profissional que existe atualmente incorporará elementos da economia criativa à sua atuação. "É uma concepção que caminha em direção à inovação, à criatividade, ao empreendedorismo e à gestão. Isso garante a capacidade para agir no cyber espaço e na internet. Cursos de comunicação que interajam com esses conceitos têm grande futuro", avalia Leite.

CIÊNCIAS ATUARIAIS

As questões relacionadas a riscos estão mais presentes na sociedade e, por isso, as empresas buscam mais atuários, explica o professor do curso de Ciências Atuariais da Universidade de São Paulo (USP) Luís Eduardo Afonso. "Havia a imagem de que esse profissional só atuava em companhia de seguro de vida, de automóvel e de previdência fazendo cálculo atuarial. Mas, fora do País, isso já está superado. Ainda é um campo de trabalho, mas o mercado é mais amplo", diz. Há demanda em seguradoras, bancos, empresas de avaliação de risco e no mercado financeiro. A formação tem de ser forte em cálculo, probabilidade, estatística e finanças. "Precisa ter conhecimento quantitativo forte e do negócio da empresa como um todo" , afirma. Além disso, a gestão de risco passou a ser considerada nível de diretoria dentro das empresas. O curso ainda é pouco conhecido e cerca de 20 instituições oferecem a graduação no Brasil, o que leva à escassez de bons profissionais.

GESTÃO DE BIG DATA

Com a migração das empresas para a era da tecnologia, desde o início dos anos 2000, o mundo vive uma abundância de informações e dados. Por isso, segundo especialistas, o mercado buscará este profissional, habilitado pela tecnologia, para ficar centrado em descobertas, administrar bancos com grande volume de dados e analisar tudo em tempo real, dando valor a esse conteúdo.

ENGENHARIA HOSPITALAR

Responsável pela infraestrutura, o engenheiro hospitalar ajuda a planejar prédios, pátios e equipamentos e fica a cargo da manutenção. "O engenheiro hospitalar cuida do físico, de parede, de iluminação, enquanto o engenheiro clínico se encarrega da manutenção de equipamentos hospitalares (usados em exames)", diz o professor do curso de pós-graduação de Engenharia e Manutenção Hospitalar do Centro Universitário da FEI Luiz Aldo Bulgari. Hoje, quem se ocupa dessas funções é formado em engenharia e depois faz especialização. "A remuneração é alta. É uma área promissora."

ECONOMIA AGROINDUSTRIAL

Para os especialistas, há um déficit de formação de profissionais ligados ao agronegócio. "Há muitos com perfil de formação técnica, como veterinário, engenheiro agrônomo, mas falta formação ligada a negócios e gestão", diz o coordenador do MBA em Gestão Estratégica do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Matheus Kfouri Marino. Hoje as pessoas que atuam na área são formadas em economia e administração e têm visão de gestão e econômica e pouco conhecimento do agronegócio. "Esse déficit é muito latente e há muitas oportunidades em empresas. O setor cresceu em alta velocidade, com taxas de 10% ao ano, e não tivemos formação no mesmo ritmo de profissionais."

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

"Hoje você precisa falar inglês no mundo profissional. A língua que precisará ser falada no futuro será o código, linguagem de programação. Usaremos cada vez mais tecnologia e serão necessárias pessoas para produzir e desenvolver isso", explica o coordenador do curso de Sistemas da Informação em Comunicação e Gestão da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Rodrigo Tafner. O profissional dessa área ajuda a valorizar os produtos das empresas, criando ferramentas tecnológicas como, por exemplo, aplicativos e games.

DESENHO DE PROJETOS DE ARQUITETURA NAVAL

Mesmo depois dos baques sofridos pela Petrobrás, a área de construção naval deve aumentar exponencialmente nos próximos anos. O profissional focado em estruturas navais pode trabalhar em estaleiro, suprindo necessidades de novas estruturas em planejamento, realizando produção, desenho, manutenção e controle de máquinas computadorizadas. "A atuação nessa carreira é bem abrangente. A demanda de mercado para construção de navios cresce e deve se expandir com as oportunidades do pré-sal. É uma demanda para muitos anos", acredita o diretor-geral do câmpus de Ipojuca do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Enio Camilo de Lima. Para trabalhar nesta área, o profissional pode tanto fazer graduação quanto um curso técnico. "A procura por técnicos de construção naval é ainda maior e o salário inicial é de R$ 3 mil", informa Lima.

ECONOFÍSICA

A mistura da física com a economia é um nicho com possibilidade de se firmar como ramo de atuação dentro de empresas e na área acadêmica. O profissional passará a aplicar no mercado financeiro as ferramentas que estuda no curso de Física. "Isso não impede que venha alguém da economia e aprenda conceitos da física. O que fazemos em mercado financeiro é aplicar no cálculo de instrumentos financeiros – derivativos – a teoria por trás deles, que tem ligação com áreas da física", explica o gerente de modelagem do Itaú e doutorando em Física pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), André Borges Catalão, que trabalha e estuda o conceito. O diretor do Instituto da Física Teórica da Unesp, Rogério Rosenfeld, lembra que hoje não existe curso de graduação nem especialização de econofísica. "O trabalho acaba sendo feito por pessoas que estudaram física e passam a desenvolver esses produtos financeiros dentro de bancos", afirma Catalão. No exterior, ele ressalta que os cursos de Economia estão mais matematizados, mas recebem o nome de cursos de "modelagem". O tema mescla duas áreas que pouco se conversam, já que para o físico não é comum ter contato com produtos do mercado financeiro e o economista não costuma ter cálculos com fórmulas da física. "Ainda é um nicho pequeno, mas bancos que mantêm área de modelagem estão aumentando a contratação, além de haver possibilidades nas empresas de tecnologia, por isso, é uma área que deve ganhar mais importância no futuro."

GERONTOLOGIA

O profissional responderá pela gestão de serviços para idosos. A atuação inclui prestar consultoria em saúde e em áreas sociais, segundo a vice-coordenadora do curso de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Karina Say. "Tanto no macro quanto no micro, ele avalia tudo o que ocorre com o idoso", explica. Ela ressalta que o gerontólogo não é um médico geriatra, mas um profissional que ajuda no planejamento e no cuidado, com uma equipe multidisciplinar. "A Política Nacional do Idoso exige esse atendimento. O turismo, por exemplo, vem crescendo e ter hotéis para atendê-los é uma das exigências", diz. Hoje há especializações nas áreas de saúde, psicologia e ciências sociais, mas o curso de Gerontologia tem esse foco já na graduação, atualmente oferecida só por duas universidades do País.

GESTOR DE RESÍDUOS

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, e outras leis do setor passaram a prever um conjunto de obrigações que exigirão a atuação de profissionais dessa área, segundo o coordenador de Saneamento Básico na Agência de Regulação do Estado do Ceará (Arce), Alceu Galvão, doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Galvão lembra que a área de saneamento ambiental compreende água, esgoto, drenagem, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e terá necessidade de profissionais capacitados em seu planejamento e sua administração. "As leis trouxeram obrigações na geração, na utilização, na reciclagem e na destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. Tem de organizar toda a cadeia logística da reciclagem e, para se ter uma indústria organizada, é preciso um gestor."

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