Sonhos possíveis

Sonhos possíveis

Colégio Vital Brazil

25 Abril 2017 | 12h27

Mais que projetos de vestibular, o Ensino Médio do Vital visa projetos de vida.

André Rebelo está de bom humor. Em uma manhã de sol de março, ele acaba de saber que mais um aluno se classificou em uma boa faculdade por meio do Sisu, o Sistema de Seleção Unificada que usa a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como critério de seleção. Ao longo das próximas semanas, outros nomes poderão se juntar à lista dos aprovados, à medida que novas chamadas forem abertas. Mas por ora o coordenador do Ensino Médio do Vital Brazil já está feliz.

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“Em termos de qualidade das aprovações, este é o melhor resultado na nossa história”, diz André. Não que os índices não tenham sido positivos também em termos quantitativos: dos 64 concluintes em 2016, ver 90% serem aprovados em alguma faculdade já é motivo de comemoração. E ter ajudado a colocar 19 na USP (Universidade de São Paulo), 16 na Unesp (Universidade Estadual Paulista), 11 na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e 41 em universidades federais traz um prazer maior para o coordenador, devido à concorrência por tais instituições. Até onde um ensino forte pode ser colocado em números, esses são bastante expressivos (para mais destaques, veja encarte especial sobre o Vestibular 2017).

Mas a alegria de André vai além dos números. Há algo mais que o faz vibrar, algo que também reflete ensino de qualidade e diz respeito a cada uma das aprovações em particular: a constatação de que a maioria dos alunos foi capaz de escolher – e alcançar – os cursos de seus sonhos. “Nosso trabalho não pode ser um projeto de vestibular, mas um projeto de vida”, diz.

Nesse sentido, as conquistas não são contabilizadas em um único gráfico. A melhor universidade para um aluno não é a mesma para o colega, o curso ideal para um não atende aos anseios do outro. “É preciso um trabalho de autoavaliação do aluno sobre seus interesses e aptidões; pesquisa para identificar quais cursos correspondem a eles e quais faculdades oferecem melhor retorno, em termos de mercado e de realização pessoal; avaliação do que será exigido, para que o aluno trabalhe seus pontos fracos e fortes”, diz. Se o destino não é o mesmo para todos, a função da escola é oferecer assistência individual a cada passo do caminho. E é isso que André parece ter mais orgulho de fazer.

Há dois anos, ele conta que recebeu em sua sala uma aluna com dúvidas sobre o futuro. “Ela dizia gostar de tudo, de Química a Literatura e História”. Juntos, foram atrás do “curso perfeito”; em vez de priorizar uma área sobre a outra, abraçaram o ecletismo da jovem: “Encontramos o curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis, da Federal de Minas Gerais, referência da área no País”. Com a meta definida, ela preparou-se com mais foco: estudaram a concorrência, os critérios de seleção, os desafios e as oportunidades. Passou em 1º lugar.

O Enem como via de acesso

Thaisa Gonzalez já tinha dado o sonho da ECA (Escola de Comunicação e Artes), na USP, por perdido. Não passara para a 2a fase da Fuvest e já fazia as malas para o Rio – havia sido aprovada em Comunicação Social na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Até que, aos 46 do segundo tempo, marcou um gol inesperado: o Sisu tinha aberto chamada para a lista de espera. “Entrei na ECA com a nota do Enem”, diz Thaisa, que passou em Publicidade e Propaganda.

O caso de Thaisa ilustra o valor que, segundo André, alguns alunos ainda não dão ao Enem, por não acreditarem que o exame os ajude a entrar em universidades não federais, como a USP. Neste ano, porém, 21,11% das vagas da instituição foram preenchidas pelo Sisu, 597 das quais em ampla concorrência, para não cotistas, e o número vem aumentando. Thaisa admite: “As pessoas não sabem como funciona e reclamam que no Vital tem muito simulado no modelo Enem; preferem focar na Fuvest. Eu mesma reclamava”, diz. (No Vital, a 3ª série do Médio tem 11 simulados, sete dos quais no modelo Enem). Thaisa está hoje em um dos melhores cursos de sua área porque sua preparação contemplou todos os caminhos possíveis.

Alguns precisam de orientação, outros de uma dose extra de rigor. Pedro Bertin que o diga. Hoje cursando Engenharia Ambiental na Unicamp, ele agradeceu ao ex-coordenador com uma mensagem de celular: “Andrezão, as advertências valeram a pena”, referindo-se às reprimendas por conversar em aula. André sabe ser severo quando precisa. “Tudo depende do que o aluno quer. Tirou 7 no simulado? Pode ser bom. Quer Medicina? Foi ruim”, diz o coordenador.

João Ricardi também teve dificuldades. Precisou de recuperações na 1ª e na 2ª séries do Médio, justamente em suas matérias favoritas, Química e Biologia. Com esforço próprio e a disposição dos professores em ajudar – “sempre deram abertura para a gente conversar e tirar dúvidas depois da aula” –, virou o jogo e uniu a ciência ao outro prazer: a praia. Está cursando Oceanografia na USP. Sabia não ser o curso mais promissor em termos de retorno material, mas pesou bem sua decisão: “Não quero ganhar mais dinheiro e ser infeliz”, diz João.