Olimpíadas Acadêmicas: as conquistas vão além da medalha

Colégio Vital Brazil

31 Agosto 2018 | 10h35

“Não se deve ir atrás de objetivos fáceis, é preciso buscar o que só pode ser alcançado por meio dos maiores esforços.” Seguindo esse pensamento de Albert Einstein, darei início a esta reflexão a respeito de importantes conquistas na vida acadêmica de alunos interessados em desenvolver potencialidades e habilidades em áreas específicas de conhecimento, com a qual têm maior afinidade.

Todos os anos, um grande grupo de estudantes participa de Olimpíadas Acadêmicas em diferentes áreas e estabelece uma rotina própria de estudos, a fim de enfrentar os desafios que esse tipo de prova representa. O Jornal da Ciência, publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), divulgou, em uma de suas edições, matéria especial relatando impactos das Olimpíadas Científicas, com base em constatações de especialistas sobre suas principais consequências e vantagens para o Brasil. Na divulgação foram destacadas as conquistas que os alunos brasileiros vêm acumulando a cada ano. Foram mais de 400 medalhas internacionais, o que mostra um nível importante de sucesso e progresso nos estudos.

Observa-se, no entanto, que o mais importante nesse processo não são somente as conquistas, e sim todo o desenvolvimento proporcionado ao estudante durante a preparação, que ocorre em várias etapas e deixa uma herança de conhecimento importante para todo o percurso escolar e para a vida. É possível notar que os alunos buscam os resultados, como conquista de medalhas, em primeiro momento, mas também buscam um aprofundamento na área de interesse, despertando um prazer durante os estudos. A conquista representa praticamente uma “recompensa” pela dedicação e empenho, ocorrendo de forma gradativa e processual. O interesse é despertado a cada prova realizada, e os avanços são perceptíveis, fator de motivação para a realização de novas provas.

Nesse processo, nota-se que os avanços não ficam restritos aos alunos participantes, mas dissemina-se por toda a escola, que sempre se alinhará às exigências e aos desafios que virão em um nível superior ao comumente trabalhado nas instituições de ensino. A “atmosfera” entre os alunos muda quando ficam sabendo que um colega de sala ou da escola conseguiu conquistar medalhas nas mais importantes Olimpíadas Acadêmicas, nacionais e internacionais. Há um entendimento de que é possível, também, atingir avanços na aprendizagem, com esforço e dedicação. Os benefícios também extrapolam o desenvolvimento dos alunos à medida que toda a escola passa a ter mais indicadores de qualidade do ensino nas diferentes áreas de conhecimento. Muitas vezes, esses indicadores mostram, inclusive, que ajustes precisam ser feitos.

Vale ressaltar que existe ainda, nesse contexto, uma valorização ao meio científico proporcionada pelas Olimpíadas Acadêmicas, propiciando evoluções significativas para o desenvolvimento de pesquisas. No Brasil, especificamente na Universidade de São Paulo (USP), já se discute uma espécie de bônus para alunos que tiveram uma participação efetiva em Olimpíadas Acadêmicas na educação básica, como forma de ter em seu corpo discente talentos importantes que contribuirão para o desenvolvimento dos projetos propostos pela Universidade. A tradição de reconhecer os estudantes com habilidades em áreas específicas de conhecimento é comum nos Estados Unidos. A ideia é avaliar o aluno ingressante de forma mais abrangente, e não só pelo desempenho em um único instrumento de avaliação que acontece de forma pontual e única.

Um exemplo de conquistas relacionadas ao desempenho em olimpíadas pode ser comprovado pelo sucesso do estudante brasileiro Gustavo Haddad Braga, que conseguiu mais de 50 medalhas em Olimpíadas Científicas, em diversas áreas de conhecimento. As conquistas deram ao aluno a condição de ser aceito nas universidades de Harvard, Stanford, Yale, Princeton e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Foi seu histórico de medalhas um dos requisitos de maior peso para o ingresso. O aluno fez a opção pelo MIT e ainda conseguiu uma bolsa de estudos oferecida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para se graduar em um dos mais renomados institutos de ensino do mundo.

O estudante que percorre o caminho das competições voltadas para a área acadêmica amplia o olhar para qualquer tema que apareça no cotidiano escolar, melhorando a compreensão do conhecimento a ser desenvolvido. A velha mania de decorar para estudar torna-se obsoleta, e o raciocínio lógico passa a ser priorizado.

Um novo universo educacional é conhecido quando se participa de competições acadêmicas, ligando segmentos da formação básica à realidade de cursos superiores, por meio do contato direto com essas instituições que participam do processo das provas, desde a elaboração e organização até o espaço físico cedido para um evento de grande porte, como são as olimpíadas.

Um programa de olimpíada bem estruturado e planejado faz com que escola e os alunos tenham resultados importantes ao longo do tempo, não somente na conquista dos resultados, mas na evolução como um todo, na formação ampla do estudante, mostrando que as conquistas vão muito além das medalhas.

Roberto Leal
Coordenador Pedagógico do Fundamental II

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