O universo como inspiração

Colégio Vital Brazil

12 Julho 2018 | 15h00

Professora demonstra, pelo exemplo, como a paixão pelo conhecimento a faz vencer desafios.

Em 2016, a professora Carolina Leite tinha 30 anos de idade, seis de experiência profissional e duas graduações no currículo, quando se viu diante de uma situação acadêmica que a desafiou. Formada em Letras pela Unisa (Universidade de Santo Amaro) e em Pedagogia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), Carolina dava aulas para turmas de Educação Infantil e Fundamental I em escolas públicas de São Paulo e no Colégio Vital Brazil, quando se candidatou ao Mestrado Profissional em Ensino de Astronomia oferecido pela USP (Universidade de São Paulo).

“A ideia surgiu da dificuldade que eu tinha de responder a algumas perguntas dos alunos sobre os planetas e as estrelas”, diz Carolina. Embora o estudo do Sistema Solar faça parte do currículo do Ensino Fundamental, suas graduações não lhe haviam proporcionado conhecimento astronômico mais profundo, e, confrontada com a curiosidade infantil sobre o universo, ela decidiu preencher essa lacuna em sua formação.

Em frente à banca de examinadores do mestrado, porém, ela hesitou. “Eles me perguntaram o que eu sabia de Astronomia. Respondi: ‘Muito pouco, por isso estou aqui’”, lembra a professora, que não ouviu palavras encorajadoras. “Chegaram a dizer que talvez eu devesse continuar na Pedagogia”.

“Tive vontade de chorar”, admite Carolina, que, no entanto, não desistiu. Submeteu seu projeto à banca – uma proposta de sequência didática e material de apoio ao professor para o ensino do Sistema Solar – e foi aprovada para o curso, que concluirá este ano. Ela sabia que teria de rever muito conteúdo que havia aprendido, principalmente de Física e Matemática, e ir atrás de muito mais que ainda nem sequer conhecia. Mas também sabia que o curso a tornaria uma professora melhor. E sua convicção se provou acertada.

“Muda tudo: a forma de trabalhar em sala de aula, a forma de falar com os alunos”, diz Carolina, que comenta como livros didáticos podem ser insuficientes para passar o conhecimento preciso e devem ser utilizados com cuidado pelos professores. Numa figura bidimensional sobre as fases da Lua, por exemplo, a Lua Nova costuma ser representada diretamente entre o Sol e a Terra, numa linha reta. No entanto, se Sol, Lua e Terra estivessem realmente alinhados num mesmo plano, o que se veria seria um eclipse solar; cabe ao professor explicar que há uma inclinação do plano de órbita da Lua em relação ao plano de órbita da Terra. Ou, como faz Carolina, conceber atividades práticas com globos, esferas de isopor e lanternas, fazer os alunos se levantarem das cadeiras para participar de perto dos experimentos, contar com simuladores disponíveis na internet.

Prestes a concluir o mestrado, Carolina agora multiplica seus aprendizados não só com os alunos, mas com suas colegas professoras – ela é assessora de Ciências do Fundamental I do Vital. E demonstra, pelo exemplo, como os horizontes de quem tem paixão pelo conhecimento nunca param de apresentar desafios.

Mais conteúdo sobre:

FormaçãoExteriorCorpo Docente