O melhor de dois mundos

O melhor de dois mundos

Colégio Vital Brazil

05 de julho de 2021 | 11h57

No modelo de ensino híbrido, o remoto não substitui o presencial; um potencializa o outro.

 

Em uma manhã de fevereiro, mais uma aula começava para o 3o ano do Ensino Fundamental, quando um aluno se antecipou e exclamou, orgulhoso: “Ah, já vi isso no vídeo, professora!” Dias depois, uma menina trazia espontaneamente para a classe um livro do qual gostava muito, que tinha a ver com o tema da aula, inspirando os colegas a compartilhar outras dicas de leitura entre si, pela internet. Outras professoras viram o mesmo acontecer em suas turmas, além de relatarem casos de alunos de 9 e 10 anos organizando, por conta própria, grupos virtuais de estudo.

Situações como essas, que ilustram uma escola em bom funcionamento mesmo em meio a uma pandemia, mostram o quanto professores e alunos do Vital Brazil aprenderam a manejar a educação mediada pelas tecnologias digitais. Principalmente depois que passaram a adotar – como ocorreu no início do ano e vai se repetir ao longo dos próximos meses – o modelo de ensino híbrido, em que parte das aulas é presencial e outra parte é em casa, mas de uma forma que as duas experiências se integram e se complementam.

Segundo Vanessa Inagaki, coordenadora do Fundamental I, o modelo teve boa aceitação entre alunos e pais. Respeitando as medidas de cuidado sanitário e os limites de ocupação da escola, em fevereiro o Colégio passou a receber as turmas do 2o ao 5o ano em sistema de rodízio: dois dias presenciais e três a distância, por semana. Embora pudessem optar pelo ensino totalmente remoto para seus filhos, a coordenadora estima que mais de 75% das famílias aderiram ao modelo híbrido.

No que não se arrependeram: após meses de distanciamento, as vantagens do retorno às aulas presenciais, ainda que parcial, logo ficaram evidentes. “É inegável que os momentos de interação mais próxima permitem aos professores observar e orientar os alunos de forma mais direta”, diz Vanessa.

Mas não se trata apenas da atenção do professor ao aluno. Segundo Amanda Alboredo, que leciona para o 3º ano, a atenção do aluno ao professor também é maior nas aulas presenciais. “Após tanto tempo em casa, eles haviam perdido um pouco a capacidade de foco, talvez por terem se acostumado com as atividades assíncronas, às quais sempre podem voltar para rever algo que tenham deixado passar. Já na aula presencial, não podemos ficar repetindo o conteúdo toda vez que o aluno se distrai”, diz Amanda.

Professora do 5º ano, Fernanda Fernandes concorda com a colega que a volta ao ambiente físico fez os alunos reexercitarem não só o foco, mas também alguns procedimentos elementares da rotina escolar. “Eu os senti inseguros no começo, precisando da minha afirmação até para coisas básicas, como preencher a pauta da aula ou fazer registros no caderno. ‘Copiei certo, professora?’ O retorno os ajudou a recuperar essas competências”, diz Fernanda.

Além do mais, havia o fator emocional. Se o foco na aula é um pilar do aprendizado, o engajamento – a vontade de participar – é igualmente essencial. E, depois de quase um ano distantes, a ideia de reencontrar colegas e professores era motivação mais que suficiente para que os alunos voltassem ao Colégio.

“Foi muita, muita alegria”, diz Amanda, afirmando não ter percebido receio dos alunos quanto aos riscos de saúde. “No 3º ano, as crianças já estavam muito bem preparadas pelos pais para seguir os protocolos de higiene, sabiam tirar as máscaras sem tocar no rosto, sentavam bonitinhas às mesas. A maior dificuldade era conter o entusiasmo para se manterem afastadas umas das outras”.

Mãe de uma das alunas de Amanda, Vanessa Andrea Valle corrobora o depoimento da professora ao relatar a experiência da filha Ana Clara, de 8 anos. “[Fevereiro] foi maravilhoso. Ela voltava feliz da escola, cheia de histórias para contar”, diz Vanessa, ressaltando um detalhe crucial: este é o primeiro ano da filha no Vital Brazil, tendo vindo de um escola na qual não havia feito muitos amigos e mal tinha coragem de se manifestar.

Mãe de uma das alunas de Amanda, Vanessa Andrea Valle corrobora o depoimento da professora ao relatar a experiência da filha Ana Clara, de 8 anos. “[Fevereiro] foi maravilhoso. Ela voltava feliz da escola, cheia de histórias para contar”, diz Vanessa, ressaltando um detalhe crucial: este é o primeiro ano da filha no Vital Brazil, tendo vindo de um escola na qual não havia feito muitos amigos e mal tinha coragem de se manifestar.

Integrando as experiências

É preciso notar, porém, que os dias de aula presencial não seriam tão bem-sucedidos sem um aprimoramento da parcela remota do modelo híbrido, fruto de um ano de prática da equipe e dos alunos com as novas tecnologias digitais.

“Aprendemos a elaborar melhores roteiros de atividades, mais autoexplicativos, que permitem aos alunos realizar tarefas mais autonomamente”, diz a coordenadora, Vanessa Inagaki. Sua xará, mãe da Ana Clara, confirma: “As atividades são muito bem pensadas para extrair dos alunos mais que o básico; não é só ler o texto, é ler e interpretar, relacionar com outras disciplinas”, diz Vanessa Valle.

Professora do 4o ano, Ellen Alencar também nota a evolução dos alunos no meio digital. “Além das atividades, a gente passa referências para estudo, como textos, vídeos e links, e a maioria está aproveitando, pois já percebeu o que isso representa para o aprendizado”, diz Ellen.

Como resultado, a integração entre aulas presenciais e estudos individuais foi sentida por todos. “Eles já chegam com exercícios feitos, antecipam-se aos conteúdos, trazem dúvidas para a aula, que se torna mais dinâmica”, diz Amanda Alboredo. “Outro dia, uma aluna trouxe o livro O Carteiro Chegou, porque estávamos trabalhando cartas como gênero textual. Eu tirei uma foto dela, postei no [Microsoft] Teams, aí a turma toda passou a compartilhar mais sugestões de leitura”.

No 5º ano, Fernanda Fernandes viu a mesma desenvoltura da turma no uso dos ambientes digitais de aprendizado. “Tive alunos compartilhando vídeos que ensinavam a fazer mapas mentais [técnica de síntese do estudo por meio de diagramas e palavras-chave], fazendo reuniões de trabalho pelo Zoom, interagindo por chat…”, diz a professora. Como resume Vanessa Inagaki: “No ensino híbrido, o remoto não substitui o presencial; um potencializa o outro”.

 

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