O despertar para o pensar e o fazer crítico

O despertar para o pensar e o fazer crítico

Colégio Vital Brazil

18 de dezembro de 2019 | 10h30

Aluna representante da Índia debatendo assuntos do país durante o evento ONU VITAL

A vivência da simulação de uma Assembleia da ONU, como parte do currículo do Ensino Médio do Colégio Vital Brazil, nasceu de uma demanda dos próprios estudantes. Esse pedido ganhou vida em função de uma didática de aulas investigativas, que problematizam e investigam questões sociais, buscando respostas para elas. Mais do que isso, as atividades em sala promovem uma análise das hipóteses levantadas para solucionar problemas do cotidiano.

Esse é o perfil da área de Ciências Humanas do Vital, a qual permite contribuições para o desenvolvimento da capacidade crítica dos estudantes. Aliás, a palavra crítica, segundo Louis Raths (1977), estadunidense e professor universitário que, em meados do século XX, estudava currículo, refere-se a uma atividade do pensamento que envolve julgamentos, análises, avaliações e estabelecimento de relações, mediante alguns padrões. O que não destoa de Mathew Lipman (1995), que complementa esclarecendo que não basta ser capaz de emitir juízos, uma vez que é fundamental “ampliar as consequências, identificar as características da definição e mostrar as ligações entre estas”.

É no cenário descrito acima que, ao receber dos estudantes a proposta de simular discussões como as realizadas nas conferências da ONU, não ficamos surpresos. Ao contrário, comprovou que, para além da quantidade de conteúdo, a natureza e a qualidade desses tópicos são indispensáveis para a formação do pensamento crítico. Lipman, em 1995, resumia de forma brilhante essa ideia: “se o pensamento crítico pode produzir uma melhoria na educação, será porque aumenta a quantidade e a qualidade do significado que os alunos retiram daquilo que leem e percebem, e que expressam através daquilo que escrevem e dizem”.

E foi assim que, em 2019, a ONU Vital completou a sua sétima edição, em um evento conduzido pela área de Ciências Humanas do Colégio, porém organizado e deliberado pelos estudantes de 1ª e 2ª séries do Ensino Médio.  Eles se envolveram com o debate e propostas para se alcançar a segurança alimentar nos países subdesenvolvidos e emergentes. Além disso, este ano o evento contou com algumas modificações: houve a proposta de sessão pública e as discussões também foram realizadas em comitês, sendo eles: Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Organização Mundial do Comércio (OMC) e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA);  ainda, tivemos a cobertura da imprensa em língua inglesa, justificada pelo fato de o inglês ser uma das línguas oficiais do evento e pela proficiência dos nossos estudantes nesse idioma.

Temos alcançado a meta pedagógica do evento: contribuir para o desenvolvimento da capacidade de estabelecer diálogo entre grupos de diferentes posicionamentos acerca de temáticas complexas. Assim, ratificamos que o estímulo à manifestação das perspectivas dos estudantes perante os fatos e sua argumentação de forma fundamentada tem gerado bons frutos.

Que em 2020 a ONU Vital seja ainda mais frutífera!

*REFERÊNCIAS: LIPMAN, M. O pensar na educação. Petrópolis: Vozes, 1995; RATHS, L. E. et al. Ensinar a pensar. 2 ed., São Paulo: EPU, 1977.

Este texto foi elaborado pela assessora na área de Ciências Humanas, Michele Rodrigues, e revisado pelo profº de literatura, Carlos Daniel Santos Vieira, junto com o assessor de Língua Portuguesa do colégio Vital Brazil, Tiago Gomes.

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